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No final de maio, o Olhar Digital explicou que o The DAO era uma ideia ambiciosa que queria mudar o mundo usando a internet. No entanto, o maior projeto de financiamento coletivo da história, com mais de US$ 160 milhões arrecadados, foi hackeado e teve cerca de US$ 50 milhões roubados por um hacker. Agora ele vive dias de crise.

Se você não está familiarizado com essa iniciativa que prometia uma verdadeira revolução, não se preocupe. Ela é relativamente nova. DAO é a sigla para “Organização Autônoma Descentralizada (Descentralized Autonomous Organization)” e destina-se a empresas que se administram automaticamente por meio de instruções pré-programadas e sem qualquer intervenção humana.

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O objetivo aqui era criar diversas empresas que pudessem realizar vários serviços sem a atuação humana. Isso diminuiria os gastos e, ironicamente, poderia acabar com a corrupção. Os lucros gerados por essas empresas seriam compartilhados entre todos os “acionistas” que investiram na ideia.

Outro detalhe é que os serviços jamais poderiam cessar de existir por conta de influências externas. Para acabar com uma empresa digital, seria necessário desligar a internet.

Mas o que essa organização produz? Nada e tudo. DAO não é uma empresa, ela é uma plataforma de investimentos que engloba projetos criados por pessoas do mundo inteiro. Funciona como uma página de crowdfunding, mas com uma estrutura totalmente descentralizada onde é a comunidade de investidores que decide por votos qual projeto irá receber recursos financeiros para sair do papel.

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Entretanto, os organizadores da ideia talvez não esperassem que a ganância humana fosse mais forte do que muitos mecanismos de segurança. Assim, um hacker conseguiu desviar US$ 50 milhões dos fundos. Para isso, ele usou as regras do próprio sistema e fez com que o dinheiro arrecadado fosse direcionado para divisões e subdivisões que ele próprio criou. Seria como uma empresa com diversos “setores fantasmas” que recebem verba.

O roubo de aproximadamente um terço de todo o dinheiro investido seria o suficiente para que o The DAO fosse considerado um fracasso histórico. Contudo, essa história parece ainda não ter chegado ao fim e ganha novos contornos.

Isso pelo fato de que alguns membros da comunidade de investidores resolveram bancar os investigadores buscando e tentando banir os responsáveis pelo ataque cibernético. De outro lado, um grupo propõe que o sistema se dissolva e devolva o valor investido para quem apostou na ideia e agora se vê prejudicado por questões técnicas. Essa ação colocaria fim em todo o projeto.

Se você acha que isso já seria o suficiente para uma história no mínimo interessante, saiba que ela ainda não chegou ao fim. O clímax se dá quando um novo grupo, este autodenominado “Robin Hood”, busca vingança contra o hacker.

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O brasileiro Alex Van De Sande faz parte desse grupo de vingadores e o objetivo deles é tomar de volta os recursos que foram desviados pelo criminoso digital usando o mesmo método fazendo-o provar do próprio veneno. Seria um efeito cascata. Ou seja, criar mais subdivisões e permitir que o dinheiro seja redirecionado para essas partições e, então, realocado como investimento no The DAO.

Parece um pouco complicado de entender, mas a estratégia do contra-ataque tem dado certo. Não há uma indicação, porém, do quanto já foi recuperado. O que se sabe é que a batalha para garantir a vida de uma ideia que poderia o mudar o mundo em que vivemos segue viva.