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DUBLIN, Irlanda – Uma das principais discussões em torno da automação de serviços é o medo de que o avanço tecnológico ajude a aumentar o desemprego, e agora um político de Dublin deu motivos para que pelo menos uma classe trabalhadora da capital irlandesa comece a temer.

Nesta semana, o conselho municipal aprovou uma moção sugerindo que as novas linhas de bonde da cidade sejam controladas por robôs, e uma das justificativas é que isso poderia impedir que o serviço seja interrompido em decorrência de greves.

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Nos últimos meses, motoristas de Luas (um veículo leve sobre trilhos igual ao que está em implantação no Rio de Janeiro) cruzaram os braços várias vezes em protesto por melhores salários. Para o conselheiro Dr. Paddy Smyth, que apresentou a proposta de automação, a cidade não pode parar junto com os trabalhadores.

“Eu gostaria de lembrar à câmara de que o contribuinte ajudou esta cidade a contar com uma rede de bondes por um custo de € 750 milhões. É um kit muito caro para ficar ocioso durante 12 dias de ações industriais”, afirmou ele, conforme relatado pelo TheJournal.ie.

O conselheiro fez questão de ressaltar que a aprovação da sua ideia não significa que os motoristas serão demitidos, mas ele sugeriu que a automação seja uma das opções para dias de greve. “Na verdade, eu duvido que haja uma única pessoa nesta câmara que acredite que em 50 anos humanos estarão dirigindo esses bondes”, afirmou. “A única coisa que disputas industriais dessa natureza alcançam é acelerar a inevitável automação desses serviços.”

Smyth lembrou ainda que tecnologias similares já estão em operação em linhas de ônibus de cidades como São Francisco (EUA), Lausanne (Suíça), Trikala (Grécia), Zhengzhou (China) e Wageningen (Holanda). Dá para incluir São Paulo na lista, já que a capital paulista tem uma linha de metrô operando de forma automatizada.

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É preciso levar em conta, entretanto, que, apesar de funcionar de forma semelhante ao metrô, em Dublin o Luas compartilha espaço nas ruas com carros, ônibus, ciclistas e pedestres, então o eventual robô motorista precisa ser bom o suficiente para garantir que ele reconheça outros componentes pelo caminho.

Não há qualquer prazo para que a questão de automação seja colocada em prática, mas Dublin passa neste momento por obras para expandir as linhas de bonde, então pode ser que futuras composições sejam capazes de rodar sem motoristas. Vale ressaltar também que a cidade já conta com supermercados que têm caixas em estilo “self-service” e até no McDonald’s é possível fazer pedidos através de máquinas, sem precisar falar com atendentes.