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Por definição, algoritmo é uma sequência de instruções não ambíguas, com a finalidade de solucionar um problema. A concepção de um algoritmo exige análise, criatividade e uma dose de lógica. Do feed de notícias do Facebook ao programa AlphaGo, o qual derrotou o mestre sul-coreano de Go, Lee Se-Dol. Da direção do carro elétrico Tesla ao controle da câmera do Curiosity em Marte, algoritmos estão por toda parte. Isto porque precedem os códigos de programação de qualquer software ou aplicativo. Mas até que ponto algoritmos podem mudar nossa sociedade, nossa forma de agir e pensar?

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 Um pouco de história

A palavra algoritmo tem sua origem a partir do nome de Muhammad ibn Musa Al-Khwarizmi, matemático e astrônomo persa, o qual viveu no início do século IX, autor de tratados de álgebra, aritmética e astronomia. Em particular, Al-Khwarizmi desenvolveu uma fórmula para resolver sistematicamente equações quadráticas (equações envolvendo números desconhecidos elevados a 2 ou na sua forma geral: ax2 + bx + c = 0) e, na Idade Média, com mais e mais estudiosos disseminando seus tratados, seu nome em latim – algoritmo – veio a ser usado para descrever todo e qualquer método sistemático ou automático de calcular.

A relação dos algoritmos com a ciência da computação tem início com Ada Lovelace (1815-1852). Ela criou uma sequência de passos para a realização de um cálculo matemático e esta sequência é reconhecida como o primeiro programa de computador. O trabalho de Alan Turing (1912 – 1954) é o que mais formalmente vinculou algoritmos à ciência da computação. A “máquina de Turing”, pode ser entendida como um modelo matemático capaz de simular um computador, fornecendo uma construção teórica para estudar e definir algoritmos.

A Cultura do Algoritmo

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Para definir cultura vamos partir do conceito etimológico: Cultura vem do latim culturae e significa “ato de plantar e cultivar plantas” ou “realizar atividades agrícolas”. Podemos compreender o ato de cultivar ou lavrar a terra como uma ação humana que modifica o ambiente, mudando assim nossa relação com este ambiente, e consequentemente nossa forma de agir e pensar.

De forma geral, podemos observar quatro estágios em que algoritmos e seu produto natural os softwares, estão modificando os pilares de nossa sociedade. Um primeiro momento pode ser notado com o aumento de software embarcado nas máquinas industriais, promovendo um grau mais elevado de automação.

De fato, isto ampliou a presença de robôs nas linhas industriais e levou a demissões e uma especialização da força de trabalho. Um segundo momento ocorre com a popularização da internet, em especial do comércio eletrônico. Algoritmos transacionais foram criados para permitir compras on-line, garantir segurança de dados, recomendar produtos e acompanhar pedidos. A Amazon, a qual recebe 1.1 bilhões de pedidos por ano, pode ser vista como maior responsável por criar estes algoritmos capazes de mudar os hábitos de consumo de milhões de internautas.

A terceira fase é a que estamos vivendo hoje e teve início com a Web 2.0 a qual inaugurou a era do compartilhamento e também dos algoritmos “sociais”. No Facebook, o algoritmo EdgeRank define o que aparece em nosso feed de notícias e sugere novos amigos e conteúdos a partir da análise de nossos interesses, curtidas e posts. No Tinder, um algoritmo analisa perfis, interesses e a geolocalização de seus usuários e assim estabelece as bases para um possível “match” de duas pessoas. O algoritmo PageRank do Google, oferece resultados cada vez mais personalizados a partir da análise do histórico e perfil dos usuários.

Finalmente, começamos a entrar na quarta fase: dos algoritmos baseados em inteligência artificial. A partir do uso de conceitos e técnicas de “aprendizagem profunda” (deep learning) e redes neurais esta nova geração de algoritmos analisa conjuntos grandes de dados complexos (Big Data) e já está presente nas redes sociais. O mais inovador é que eles estão assumindo atividades antes exclusivas de nós, seres humanos, tais como dirigir veículos ou realizar cirurgias.

Algoritmos estão presentes em cada uma de nossas interações virtuais, influenciando nossa opinião, monitorando nossos perfis, observando nossas reações. Nossa vida algorítmica é caminho sem volta.

Notas

Alguns autores adotam também o termo “cultura algorítmica”

O programa AlphaGo, é baseado no software de inteligência artificial DeepMind do Google, o qual por sua vez é uma coleção de algoritmos de aprendizagem profunda (deep learing) e em redes neurais.