Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Michigan desenvolveu um laser de observação médica que tem no sangue humano um de seus principais componentes. O dispositivo permite que médicos e cientistas observem as estruturas de células e as mudanças no sangue em um nível molecular.

O dispositivo é composto por uma fonte de luz e uma cavidade preenchida com sangue humano misturado a um corante fluorescente. Esse corante, chamado de ICG (Indocyane Green, em inglês), se liga a proteínas no plasma sanguíneo e começa a brilhar, segundo o artigo publicado na Optical Society of America.

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Quando a luz passa pela solução de sangue e corante, ela se torna muito mais brilhante nos locais em que o corante se liga ao plasma sanguíneo. Isso permite que processos moleculares das células sejam observados com mais detalhe. Segundo o Gizmodo, esse método pode, no futuro, facilitar a detecção de tumores.

Além disso, ao regular a intensidade da fonte de luz, os cientistas podem observar aspectos diferentes desses processos. De acordo com o Engadget, amplificar a luz faz com que pequenas mudanças em atividades celulares se tornem mais evidentes; filtrar a luz, por outro lado, faz com que apenas processos mais intensos apareçam.

Biolasers

Por mais estranha que essa criação pareça, ela não representa a primeira vez em que material biológico é usado para criar um laser. Conforme o Mental Floss aponta, o interesse de pesquisadores pela possibilidade de se criar um laser com tecidos biológicos já tem algum tempo: o primeiro deles foi criado em 2011 por pesquisadores da Harvard, que usaram proteínas de água-viva e células ativas de rins.

Xudong Fan, o próprio autor do artigo que descreve o laser feito com sangue humano, já havia realizado outras pesquisas nessa área. Em 2013, ele estudou o uso de gelatina como um meio de propagação da luz, e no começo desse ano descreveu uma maneira de se fazer lasers usando a clorofila de plantas.

Como o corante ICG se acumula em áreas do corpo com muitos vasos sanguíneos ao ser injetado em um paciente, essas áreas brilhariam de maneira muito mais intensa ao ser expostas a luz. Tumores são exemplos de regiões com muitos vasos, e por isso o método poderia facilitar sua detecção.

No futuro, segundo a New Scientist, Xudong Fan pretende testar o método em tecido animal, para verificar se seria de fato possível usar essa técnica para encontrar acúmulos de células cancerígenas. Seria necessário, contudo, garantir que a intensidade do laser não seja suficiente para queimar o tecido humano ao qual ele é aplicado.