Ontem durante o evento WSJD Live Conference, dois executivos do Facebook falaram sobre alguns dos planos da empresa para o futuro. Entre outras novidades, a empresa anunciou que pretende lançar uma série de filtros artísticos semelhantes aos do aplicativo Prisma para a sua ferramenta de vídeos ao vivo. 

Embora o Prisma funcione com fotos e vídeos, ele ainda não é capaz de transmitir vídeos ao vivo. De acordo com o diretor de produtos da rede social, Chris Cox, os filtros permitirão que os usuários apliquem a seus vídeos ao vivo um estilo semelhante ao de pintores como Van Gogh, Rembrandt ou Monet instantaneamente. Segundo o TechCrunch, o recurso foii elaborado com base numa pesquisa acadêmica alemã sobre ‘transferência de estilo’.

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Alguns filtros de cores já estão disponíveis no vídeo ao vivo do Facebook. No entanto, Cox acredita que os filtros de estilo desse tipo podem deixar as pessoas com menos vergonha de aparecer ao vivo, o que ajudaria a ferramenta a ganhar mais adeptos. O diretor de produtos do Facebook ainda opinou que, em 5 anos, 70% do tráfego de dados da internet será causado por vídeos.

Exceções às leis

No mesmo evento, Cox e a diretora de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, falaram sobre a dificuldade em equilibrar o combate a discursos de ódio e a liberdade de expressão. Segundo os executivos, o Facebook é uma empresa de tecnologia, não de mídia, mas precisa tomar alguams decisões de caráter editorial para garantir que seja adequada a todos que a utilizam.

Mesmo assim, Sandberg disse que “as pessoas estão compartilhando conteúdos mais noticiosos no Facebook. Isso é algo que nós queremos permitir, e pode ser difícil”. Após essa fala, ela deu o exemplo da foto da criança nua da Guerra do Vietnã, que o Facebook primeiro censurou e, em seguida, pediu desculpas por censurar. “Não pode haver melhor exemplo que nudez infantil em benefício da noticiabilidade”, completou.

Por esse motivo, a rede social “começará a abrir exceções aos nossos padrões de comunidade”, disse a diretora de operações. “Estamos dialogando com jornalistas e publicadores para entender essa questão para que as pessoas possam se expressar livremente no Facebook mas ainda nos mantermos uma comunidade segura”, acrescentou.

Censura inconsistente

Em diversas ocasiões, o Facebook e o Instagram (rede social da qual o Facebook também é dono) já tentou explicar precisamente qual é a sua política para censurar alguns temas, como nudez ou discursos de ódio. Ainda assim, a inconsistência dessas políticas de censura já renderam à rede social acusações de homofobia e até mesmo um processo do governo brasileiro

Trata-se de um problema que não afeta só o Facebook. Outras empresas de tecnologia já revelaram práticas claramente discriminatórias em suas políticas de censura, como quando a Apple vetou a capa de um disco da cantora brasileira Juçara Marçal, que continha um desenho com mamilos negros. Outras capas de disco com mamilos (desenhados ou reais) não foram censuradas pela empresa.