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Donald Trump é o novo presidente dos Estados Unidos, um fato que deve ter muitas ramificações tanto dentro quanto fora do país. No entanto, o aspecto que tange ao Olhar Digital é notar como o maior polo de tecnologia do mundo, o Vale do Silício, sai derrotado das eleições.

Agora empossado, Trump sempre demonstrou conflito com a indústria de tecnologia, o que fez com que vários líderes do Vale do Silício assinassem uma carta aberta contra o futuro presidente do país. Isso incluía grandes executivos de Facebook, Apple, Twitter, Google, Reddit, eBay, Wikipedia, Tumblr, entre várias outras empresas menos conhecidas, mas relevantes.

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Mark Zuckerberg já havia entrado em conflito com Trump. Em apresentação em abril, durante a conferência F8, o fundador do Facebook dedicou um tempo a criticar propostas do novo presidente dos EUA:

“Conforme eu observo em minhas viagens pelo mundo, estou começando a ver pessoas se voltando para dentro, contra a ideia de um mundo conectado e uma comunidade global. Ouço vozes com medo pedindo pela construção de muros e se distanciando de pessoas enquanto rotulam as pessoas”, disse Zuckerberg, fazendo referência óbvia ao plano de Trump para construir um muro entre México e Estados Unidos.

Além disso, em março deste ano, grandes nomes como Elon Musk, CEO da Tesla e SpaceX; Larry Page, CEO da Alphabet (Google); Tim Cook, da Apple, entre outros grandes bilionários, se reuniram para tentar barrar o avanço de Trump enquanto ele ainda era apenas um pré-candidato pelo Partido Republicano, numa tentativa de emplacar outro nome. Como se sabe agora, não deu certo.

Junta-se a isso o fato de que Trump sempre devolveu a hostilidade à indústria de tecnologia:

  • As empresas pedem um relaxamento nas leis de imigração para poder atrair mais trabalhadores qualificados, mas Trump não tem uma posição muito clara sobre o assunto;
  • Trump prometeu forçar a Apple a produzir os iPhones nos EUA, o que encareceria a produção e, consequentemente, o produto;
  • Ele criticou Tim Cook e a Apple por não desbloquear o iPhone de um terrorista envolvido nos atentados em San Bernardino no fim do ano passado;
  • Ele é a favor do monitoramento em massa da NSA denunciado por Edward Snowden, enquanto as empresas de tecnologia tentam se livrar das obrigações de coletar e repassar dados ao governo para fins de espionagem;
  • Ele é contra a neutralidade da rede, que é algo pelo qual a maior parte das empresas de tecnologia luta a favor;
  • Trump sugeriu o “fechamento da parte da internet onde está o Estado Islâmico”, pedindo a cooperação de Bill Gates e empresas de tecnologia. Isso é tecnicamente impossível;
  • O novo presidente também sempre se mostrou reticente em relação a questões de cibersegurança do país;
  • A cultura de diversidade do Vale do Silício conflita diretamente com vários comentários preconceituosos feitos sobre mulheres, gays e imigrantes. A Califórnia, onde está o Vale do Silício, é um estado considerado progressista (ou liberal, nos termos usados nos EUA) e, não à toa, Hillary Clinton venceu na região.