As investigações sobre machismo sistêmico dentro da Uber podem estar prestes a atingir mais um dos principais executivos da empresa. Trata-se de Emil Michael, o vice-presidente sênior de negócios da Uber e “número dois da empresa”, que, de acordo com o Recode, estaria sendo pressionado pelo conselho da Uber a pedir demissão.

O conselho tem bons motivos para achar que Michael deve se afastar. Ele esteve envolvido na polêmica em torno de um caso de estupro de uma passageira por um motorista da Uber. Naquele caso, Michael era o responsável por Eric Alexander, um gerente regional da empresa que, duvidando da palavra da vítima, obteve os registros médicos dela – com a conivência de seu superior hierárquico.

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Michael também estaria envolvido num caso citado pelo The Information no qual diretores da Uber se reuniram em um bordel coreano onde as mulheres eram identificadas com números. Em outro episódio, ele teria sugerido, ainda de acordo com o Recode, que um editor do BuzzFeed tentasse intimidar jornalistas que reportavam sobre problemas da empresa em 2014.

Ausências problemáticas

Esse relato do Recode vai de encontro a outra reportagem, feita pelo New York Times, segundo a qual Michael estaria planejando se demitir. O Recode considera que essa informação é incorreta, e que o vice-presidente sênior de negócios da Uber na verdade ainda não sabe ao certo o que vai fazer.

De qualquer maneira, sua saída da empresa seria traumática por uma série de motivos. Primeiramente, se ele saísse, a Uber ficaria com ausências nas posições de diretor de marketing, operações, finanças, conselho-geral e engenharia – ou seja, com pouquíssimos executivos da alta hierarquia. E essa falta de lideranças poderia ser muito prejudicial à empresa neste momento.

Há também o fato de que Michel tinha uma relação bem próxima a Travis Kalanick, o CEO da empresa. Segundo o Recode, ele foi uma pessoa crucial para trazer fundos para a Uber, além de participar ativamente das negociações da Uber para comprar a Otto (empresa que desenvolve caminhões autônomos) e para sair da China. Por outro lado, o próprio CEO da Uber pode ser forçado a se afastar em breve.