A bitcoin surgiu com a promessa de substituir o dinheiro, mas, apesar do sucesso indiscutível como ativo especulativo, cada vez mais se mostra pouco útil como método para fazer compras. Isso fez com que a Stripe, uma das maiores empresas de para mediação de pagamentos online dos EUA, decidiu parar de aceitar a moeda virtual como forma de pagamento.

A empresa havia sido uma das primeiras a aceitar a bitcoin, ainda em 2014, numa época em que a moeda estava em uma fase de baixa. Na época, poucas transações precisavam ser processadas, de modo que as tarifas para validação de um pagamento estavam na casa dos centavos.

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Com a explosão da bitcoin no ano passado, as taxas de processamento dispararam, expondo a dificuldade da moeda em operar em grande escala. No ano passado, a tarifa chegou a US$ 34 por transação, o que é simplesmente inviável para quem quer fazer uma compra de um valor pequeno. Imagine tentar comprar um cafezinho na padaria de esquina por R$ 1,50 e ter que pagar mais de R$ 100 para ter a transação validada imediatamente. Até é possível pagar menos pela validação, mas a tendência é que o resultado demorar mais para ser confirmado.

A Stripe explica justamente esse problema. “Os tempos de espera para confirmações de transações cresceram substancialmente, o que levou a um aumento das falhas em transações”, explica Tom Karlo, executivo da empresa, culpando a forte oscilação no valor da moeda. Afinal de contas, vamos supor que alguém decidiu pagar R$ 100 em um par de tênis usando bitcoin; isso equivale, no momento em que este texto é escrito, a 0,00270416 BTC. Se a transação demorar muito para ser validada, esses 0,00270416 já não vão mais valer R$ 100, causando falha na validação.

O problema é basicamente o mesmo reportado pelo Steam quando decidiu parar de aceitar bitcoins. Com as taxas de processamento disparando, passou a ser inconveniente tanto para usuário quanto para a empresa a efetuação de pagamentos com a moeda, trazendo custos excessivos desnecessários.

No fim das contas, Karlo conta o que todos já suspeitavam. A bitcoin mudou com o tempo, deixando de ser uma moeda propriamente dita, criada para transferir valores monetários em troca de produtos ou serviços para ser um bem, algo que as pessoas guardam para acumular valor, o que não é exatamente o propósito para qual Satoshi Nakamoto projetou a bitcoin em 2009.