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Por que a câmera Portal, do Facebook, não é uma boa ideia (ainda)

O Facebook anunciou há pouco tempo sua webcam chamada Portal, que será comercializada a partir do mês que vem nos EUA. Ela é inteligente e supostamente projetada para tornar as conversas por vídeo-chamadas mais imersivas e com mais liberdade ao usuário, pois ela acompanha seus movimentos e garante que você fique visível o tempo todo.

A descrição do produto parece bem atraente, porém nos faz ficar com uma pulga atrás da orelha. Diante do fato recente de brechas de segurança no Facebook, que puseram a integridade de 50 milhões de contas em jogo, por que deveríamos confiar em uma webcam dessa rede social nos filmando dentro de casa?

O próprio CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, usa fita adesiva na webcam de seu computador e ele deseja vender uma com a marca da sua rede social para usarmos em nossas casas? Isso realmente nos deixa, no mínimo, confusos, para não dizer desconfiados.

Mas parece que a empresa também está ciente de quão ridículo isso soa. Em seus materiais de lançamento, o Facebook colocou a privacidade e a segurança em primeiro plano , concentrando-se nos vários passos que a empresa tomou para tornar o Portal o mais seguro possível.

Isso inclui designs de hardware simples, como uma capa de câmera, que você pode deslizar quando não estiver usando a webcam, até recursos mais técnicos, como ter a IA (inteligência artificial) que executa o processamento diretamente no dispositivo, em vez de ser processado no Facebook.

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Isso tranquiliza um pouco e o Facebook parece ter usado a estratégia certa, mantendo o produto a uma distância segura da rede social e o tornando apenas um comunicador, um dispositivo “bacana” pra ter em casa, como se fosse o videofone dos Jetsons.

No entanto, há mais ingredientes nesse cozido. Acontece que o Facebook pode, de fato, usar os dados coletados em seu dispositivo de vídeo doméstico para segmentá-lo com anúncios. Segundo o site Recode, a própria companhia afirmou que o Portal não tem anúncios, mas dados sobre quem você chama e dados sobre quais aplicativos você usa no gadget podem ser usados para segmentá-lo com anúncios em outras propriedades da rede social.

Por exemplo, o fato de você ouvir o Spotify ao fundo enquanto está conversando com alguém – será usado para segmentar usuários com anúncios no Facebook.

Como a empresa em questão tem 90% da sua receita baseada em publicidade, isso não surpreende. É o meio que ela conhece muito bem para ganhar dinheiro. E um dispositivo desses ia gerar não apenas publicidade, mas muita conversão em vendas, já que os anúncios seriam muito bem direcionados por causa da coleta de dados precisa.

Parece então que o Facebook está desenvolvendo hardwares porque está perdendo terreno na sua rede social e, somado a isso, não pode perder o timing para seus concorrentes, como Amazon e Google que já comercializam seus dispositivos inteligentes pessoais, a Alexa e o Google Home, respectivamente.

Mas parece também que o Facebook não está ainda sabendo direcionar seu produto. A comunicação da empresa ainda não está clara quanto a coleta de dados que o Portal pode realizar.  E comprar um produto de US$ 200 que vai transmitir audio e imagens de nossas casas por meio de uma rede que já criou polêmica por brecha de seguranças, não parece ser uma boa ideia.

Esta post foi modificado pela última vez em 31 de outubro de 2018 13:30

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Publicado por
Rene Ribeiro