Por Adriana Menescal e Sergio Carvalho*

Em tempos onde o foco no usuário mostra-se um fator central no sucesso de empresas como a Apple, uma citação do diretor do The Earth Institute torna-se relevante: “Passamos muito tempo planejando uma ponte e pouco tempo pensando sobre as pessoas que vão passar por ela”. Ainda assim, um número ainda maior de empresas enxerga como um desafio encontrar uma forma de oxigenar seus processos internos e exercitar novas formas de propor e desenhar soluções, principalmente quando vamos para intranets, portais corporativos ou outras ferramentas do mundo digital.

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A princípio pode não parecer um desafio trivial ou que exigiria alto investimento em tempo e dinheiro. Na verdade, toda empresa pode começar a exercitar a aplicação de técnicas de design centrado no usuário sem grande esforço. Muitas técnicas são processos ágeis que podem integrar-se com facilidade ao dia a dia corporativo.

É muito comum sermos procurados por clientes com uma demanda já definida para um projeto digital, mas sem um prévio trabalho de imersão para mapeamento dos problemas e definição do verdadeiro desafio. Podemos citar um caso em que fomos procurados por um deles com a intenção de realizar a migração da revista impressa (um veículo de comunicação com o associado) para digital. Estamos sempre sugerindo, por exemplo, pesquisas ou testes de usabilidade para termos feedbacks dos usuários ao longo de um projeto.

Uma abordagem que passamos a sugerir recentemente são os Ideation Day Workshops (IDW), que se mostram uma forma mais criativa, inspiradora e interativa de definir, explorar e comunicar novas ideias do que o modelo convencional de reuniões com todos sentados em torno de uma mesa acompanhando atentamente seus smartphones. A pergunta inicial era: “Como podemos nos comunicar com o nosso associado de forma digital e inovadora, mostrando que ele é a nossa razão de ser?”. Ao final do processo, o desafio proposto pelo time sequer citava a revista digital.

As atividades de um IDW devem variar de acordo com o contexto, usuários e desafio estabelecido para o projeto, mas vamos descrever abaixo um modelo aplicado com um dos nossos clientes e proposto por uma das melhores consultoras de Design Thinking do mercado, Tânia Martins.

Ideation Day Prep

Nesta atividade de preparação o objetivo foi definir o desafio para o IDW. A demanda inicial era a de transformar a versão física da revista corporativa em uma edição digital. Mas com a ideação, fomos ver se era apenas este o problema do nosso cliente. Então, foram mapeados colaborativamente os principais atores e expectativas; estabelecidos os objetivos de médio e longo prazos; identificados os fatores de sucesso, de fracasso, riscos e oportunidades. Foi feito um exercício livre em cima deste mapeamento para listar as perguntas que gostaríamos de responder ao longo do processo como por exemplo: como inovar mais? Como simplificar processos? Como atender melhor nossos usuários?

Ideation Day Workshop

Usar um espaço externo para o evento é sempre uma boa ideia por se mostrar mais condutivo a colaboração e distante do dia a dia das salas de reunião e do hábito dos smartphones. Sempre organizados em grupos, começamos o dia com atividades de aquecimento, criação colaborativa e de desconstrução do desafio definido.

Tendo sempre uma ou mais personas de usuários como referência, são feitas atividades de ideação para levantar livremente formas de endereçar o desafio proposto. Depois, de forma colaborativa, foram selecionadas as ideias mais promissoras.

Finalmente, foram criados protótipos para materializar as melhores ideias de cada grupo e feita uma validação coletiva. Vale ressaltar que as soluções propostas no Ideation Day devem ser depois aprofundadas e, se consideradas compatíveis com os objetivos e a estratégia da empresa, inseridas no fluxo de projetos previstos.

Nas palavras da Tânia: “As atividades de Ideation Day são uma forma de sensibilizar os times na abordagem e solução dos seus problemas do dia a dia por meio do pensamento de divergência e convergência do Design Thinking como ponto de partida e inspiração para as atividades”.

Vale ressaltar que o Design Thinking não deve ser aplicado de forma eventual. Ele é, na verdade, uma maneira de pensar, uma abordagem e deve ser integrado ao cotidiano das empresas para permitir um processo contínuo de retroalimentação que envolva a equipe interna e seus clientes. Na nossa experiência, a sua aplicação sempre aporta resultados relevantes em um processo estimulante que nos permite aprofundar o conhecimento sobre os clientes, gerar novas ideias e aumentar a integração entre os profissionais da empresa.

*Sergio Carvalho é sócio-fundador do estúdio de soluções digitais Sirius Interativa