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Exames de rotina para detectar a evolução de tumores são cada vez mais comuns e já salvaram inúmeras vidas. No entanto, a avidez por identificar anomalias no estágio inicial de desenvolvimento está levando médicos a diagnósticos exagerados, que submetem pacientes a tratamentos dispensáveis e até mesmo nocivos à saúde. É o que aponta uma pesquisa publicada pela revista Medical Journal of Australia, ao menos um quarto dos diagnósticos de câncer identificados em homens no país foram equivocados.

Uma nova pesquisa da Bond University, em Queensland, na Austrália, calculou os riscos de diagnósticos exagerados de cinco diferentes tipos de câncer. Os cientistas compararam os dados médicos do país dos anos de 1982 e 2012 e descobriram que embora a chance de pacientes receberem o diagnóstico das doenças tenha disparado, as taxas de mortalidades por essas enfermidades permaneceram estáveis.

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O estudo ainda estimou, que no mesmo ano, um quarto dos quadros de câncer diagnosticados em homem foram exagerados, dentre eles 42% dos tumores na próstata, 42% de tumores renais, 58% de tumores na pele e 73% de tumores na tireóide.

Já em pacientes mulheres, os super diagnósticos acontecerem 18% dos casos. Mais uma vez o tumor na tireóide lidera com 73%, seguido do de pele, 53%, e mama, com 22% dos casos.

A pesquisa levanta uma discussão sobre os possíveis prejuízos que esse problema pode causar à saúde dos pacientes. Isso porque alguns tumores benignos não ofereceram riscos à integridade do organismo, no entanto, o diagnóstico errado submete pacientes a procedimentos desnecessários e danosos.

“Tratamentos contra cânceres, como cirurgia, radioterapia, endocrinoterapia e quimioterapia podem causar problemas físicos ao pacientes, mas os riscos são aceitáveis quando o diagnóstico é apropriado”, afirma o estudo.

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Os pesquisadores argumentam que o avanço da tecnologia contribuiu para a detecção de doenças, mas as novas ferramentas ainda não impedem que médicos determinem diagnósticos equivocados.

“O problema é que alguns exames identificam células anômalas que parecem câncer, mas elas não se comportam como tal”, disse Paul Glasziou, um dos integrantes do estudo. “No entanto, reduzir o problema do superdiagnóstico não é nada fácil, já que alguns exames são muito importantes”.

Fonte: ScienceAlert