O Grupo SBF, dono da varejista de material esportivo Centauro, comprou as operações da Nike no Brasil. O negócio torna a Centauro a única distribuidora dos produtos da Nike tanto no varejo físico quanto no online, por um período de dez anos.

O custo da aquisição foi de R$ 900 milhões, mas está sujeito a ajustes, conforme informado pelo Grupo SBF no mercado financeiro. A aquisição da subsidiária brasileira da Nike inclui as lojas e o estoque, mas não direitos de propriedade intelectual.

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Após a conclusão do negócio, o Grupo SBF atuará como uma holding, sendo a Centauro e a Nike do Brasil unidades de negócio separadas. O atual presidente da Centauro, Pedro Zemel, será quem assumirá as rédeas da holding.

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Em comunicado ao mercado financeiro, o grupo brasileiro afirmou ser um parceiro de longa data da marca. No Brasil, a Nike possui 24 lojas próprias e 15 de parceiros onde vende produtos esportivos. Com a notícia da negociação, as ações do Grupo SBF subiram mais de 13% na bolsa brasileira B3 por volta das 13h30, vendidas a R$ 5,67.

“Nos últimos anos, fizemos uma série de investimentos em diversas frentes e, principalmente, em tecnologia e multicanalidade, o que nos possibilitou avançar expressivamente no nosso setor e nos transformar em uma plataforma do esporte”, escreveu Zemel. “Estamos muito entusiasmados com a oportunidade de servir ainda mais a comunidade esportiva por meio de uma marca tão poderosa. Seguimos comprometidos com a missão de aprimorar o ecossistema do esporte no nosso país através de diferentes caminhos e modelos de negócios”.

A compra é vista como uma parceria estratégica por especialistas em varejo. “O grupo dono da Centauro será fornecedor de todo mundo que quiser comprar Nike, que é a marca predileta dos brasileiros. E ainda vai ter o privilégio de fazer lançamentos de produtos e categorias na plataforma deles. É uma grande sacada”, afirma Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores. 

Com a compra, a Nike do Brasil passa a ter maior controle, por meio da Centauro, dos dados de seus clientes, algo cada vez mais importante para o desenvolvimento dos negócios no varejo. Agora, com as duas marcas sendo do mesmo grupo, a expectativa é que a Nike tenha mais a dados detalhados sobre quem comprou seus produtos, onde e como, ao menos nas compras feitas na Centauro. Com essas afirmações, a empresa americana poderá aprimorar o desenvolvimemento e lançamento de produtos com o desejo do consumidor.

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A ação do Grupo SBF não é algo isolado no mercado. Recentemente, a fabricante de calçados Arezzo comprou a operação da famosa marca americana de tênis Vans no Brasil por R$ 50 milhões. Uma das vantagens da transferência de operação de uma marca global para uma empresa local é a proximidade com os clientes. 

O Grupo SBF vinha de uma grande derrota em 2019: o varejista disputou a compra da concorrente Netshoes com a Magazine Luiza, que acabou levando a melhor. A Netshoes, que quase faliu após prejuízos consecutivos, terminou vendida a Magalu por US$ 115 milhões. O Grupo SBF chegou a fazer uma proposta maior, mas o fundador da Netshoes resistiu a vender sua empresa para a maior concorrente.

Desde então, o SBF vem se esforçando para mostrar que é capaz de vencer no varejo mesmo sem a Netshoes. Um dos marcos desse período veio em outubro de 2019, quando anunciou uma parceria com a B2W (dona de Americanas.com, Shoptime e Submarino) para vender seus produtos na Americanas, mas com plataforma e logística próprias. No dia do anúncio, as ações do grupo subiram 5%.

Medidas como boa integração entre lojas físicas e comércio eletrônico fizeram os investidores continuarem apostando no grupo, cujas ações avançaram mais de 250% desde abril, quando abriu capital na bolsa.

Via: Exame