EnglishPortugueseSpanish

O estudo da composição de isótopos de oxigênio colhidos em rochas lunares deu para pesquisadores informações que reforçam a evidência de que um planeta, chamado Theia, se chocou com a Terra e deu origem à Lua, há cerca de 4,5 bilhões de anos.

Criar um modelo de como nosso satélite natural se formou tem sido um desafio para os cientistas. A missão Apollo trouxe de volta amostras do solo lunar que apresentavam composições de isótopos de oxigênio praticamente idênticas às da Terra. Para que esse resultado fosse possível, Terra e Lua primitivas teriam que possuir valores idênticos de isótopos de oxigênio, ou essa homogeneização nos dois corpos teria ocorrido após o impacto.

publicidade

Cientistas da Universidade do Novo México fizeram uma análise de alta precisão em uma série de pedras lunares e comprovaram que Terra e a Lua têm, de fato, diferentes composições de isótopos de oxigênio – especialmente as rochas mais profundas. “Nossas descobertas sugerem que o manto lunar pode ter experimentado menos mistura e é mais representativo a composição de Theia”, explica Erick J. Cano, pesquisador do Departamento de Ciências da Terra e Planetárias.

“Os dados sugerem que as composições distintas de isótopos de oxigênio de Theia e da Terra não foram completamente homogeneizadas pelo impacto da formação da Lua, e fornecem evidências quantitativas de que Theia poderia ter se formado mais longe do Sol do que a Terra”, afirma Cano, no estudo publicado na Nature Geoscience.

As evidências reforçam a Hipótese do Impacto Gigante, que sugere que a Lua foi formada a partir de detritos após uma colisão gigante entre a Terra primitiva e o proto-planeta chamado Theia. A Terra e a Lua são geoquimicamente semelhantes, mas a composição quase idêntica nos isótopos de oxigênio era um problema no modelo.

Para chegar a suas descobertas, Cano e seus colegas da UNM, Zach Sharp e Charles Shearer, conduziram medições de alta precisão em amostras de basaltos, anortositos, norites e vidro vulcânico, um produto de magma não cristalizado de resfriamento rápido. A composição isotópica de oxigênio nas amostras variava dependendo do tipo de rocha testada. Isso pode ser explicado pelo grau de mistura entre a Lua derretida e a atmosfera de vapor após o impacto. Os isótopos de oxigênio de amostras colhidas no manto lunar profundo foram os mais diferentes dos isótopos de oxigênio da Terra

publicidade

“Com base nos resultados de nossa análise isotópica mostra que a composição distinta de isótopo de oxigênio de Theia não foi completamente perdida através da homogeneização durante o impacto”, completa Cano.

Via: Phys.org