Coronavírus

Vermífugo citado por Pontes é menos eficaz que a cloroquina, diz estudo

17/04/20 12h11, atualizada em 17/04/20 12h25

A corrida pela descoberta de um fármaco eficaz contra o novo coronavírus se estende há alguns meses. Diversos países testam remédios já utilizados para outros fins. A ideia é entender se algum deles é realmente eficaz no combate à Covid-19.

Um deles, a nitazoxanida, princípio ativo do vermífugo Annita, foi um dos sete medicamentos testados em laboratórios de Wuhan por cientistas e virologistas. Apresentado como um “remédio secreto” com 94% de eficácia pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, o medicamento se mostrou o menos efetivo e o mais tóxico no estudo.

A pesquisa, publicada na China, teve como objetivo testar a potência das sete drogas. O documento descreve que a cloroquina foi o fármaco considerado menos tóxico e mais efetivo – mesmo se ministrado em doses maiores.

O remdesivir também se mostrou bastante eficiente. No entanto, a nitazoxanida só foi eficaz quando aplicada em doses altas, mas que se mostraram tóxicas. O estudo foi feito in vitro, ou seja, não houve testes clínicos, com aplicação em pacientes.

Testes no Brasil

O ministro, que não confirmou o nome da droga, afirmou que, em exames preliminares, não há efeitos colaterais graves. Ele disse que a identificação do medicamento não seria feita para não haver uma corrida às farmácias – como aconteceu com alguns dos remédios apontados como supostamente eficazes.

No entanto, a omissão da identificação deixou a comunidade científica espantada. Há uma regra básica para que testes clínicos sejam feitos: a divulgação do nome. Em primeiro lugar, por uma questão de ética. As pessoas que participam de algo assim devem saber o que estão tomando. Em segundo lugar, há a necessidade do fármaco passar pela aprovação da comunidade científica.

Os testes com a nitazoxanida no Brasil devem começar em centros participantes, como o Comando da Aeronáutica do Rio, o Comando da Aeronáutica de São Paulo, o Hospital Naval Marcelo Dias, do Rio, e o Hospital das Forças Armadas.

Via: Folha de São Paulo 

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