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Um dos gargalos no aumento da escala de uso da Inteligência Artificial e Internet das Coisas é a quantidade de energia que essas operações consomem. Uma alternativa, que tem sido pesquisada em diversos segmentos, é a criação de componentes biológicos para substituir suas contrapartes eletrônicas, como por exemplo a fabricação de chips utilizando neurônios de seres humanos ou de memoristores orgânicos.

“É importante entendermos que as plataformas de computação de hoje não serão capazes de sustentar implementações em escala de algoritmos de IA em conjuntos de dados massivos”, avalia o físico Thirumalai Venkatesan, um dos autores de um artigo publicado na Applied Physics Reviews.

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“A computação de hoje consome muita energia para lidar com Big Data. Precisamos repensar nossas abordagens de computação em todos os níveis: materiais, dispositivos e arquitetura que podem permitir um consumo muito menor de energia”, completa

Utilizando o funcionamento dos neurônios como inspiração, os memoristores orgânicos podem oferecer uma plataforma funcionalmente promissora e econômica, de acordo com Venkatesan. Dispositivos memorísticos são dispositivos eletrônicos com uma memória inerente capaz de armazenar dados e executar cálculos, mas pesquisadores ao longo dos anos não têm tido sucesso em encontrar o material ideal para criar um memoristor orgânico bem-sucedido.

“Nos últimos 20 anos, houve várias tentativas, mas nenhuma delas mostrou qualquer promessa”, explica Sreetosh Goswami, principal autor do novo artigo. “A principal razão por trás desse fracasso é a falta de reprodutibilidade, resistência, estabilidade, uniformidade, escalabilidade e velocidade necessárias para uma aplicação industrial”, completa Goswami.

A nova geração de memoristores orgânicos, porém, é desenvolvida com base em complexos de metais de transição de ligantes orgânicos ativos redox, criados por Sreebata Goswami, professor da Associação Indiana para o Cultivo da Ciência em Kolkata, também um dos autores do artigo. “As moléculas são tão robustas e estáveis ​​que esses dispositivos podem ser aplicados em tecnologias vestíveis e implantáveis”, acredita Goswami.

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Uma aplicação possível, segundo os pesquisadores, é a construção de dispositivos de rede corporal, com uma série de sensores sem fio que aderem à pele e rastreiam dados relacionados à saúde. O próximo desafio, segundo os cientistas, é produzir esses memoristores orgânicos em escala.

“Agora estamos fabricando dispositivos individuais em laboratório. Precisamos fazer e testar circuitos para implementação funcional em larga escala desses dispositivos”, disse Venkatesan.

Via: AIP Publishing