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Originalmente lançado em 1990, o telescópio espacial Hubble foi inicialmente considerado um fiasco: uma falha no polimento de seu espelho principal fez com que ele fosse “míope”, incapaz de focar objetos muito distantes, exatamente aqueles que foi criado para estudar.

Foi só após uma “cirurgia corretiva” realizada em 1993 que o telescópio pôde cumprir seu objetivo com maestria, e vem nos brindando com belas imagens do cosmos e valiosas informações científicas desde então.

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Segundo relatórios técnicos, os instrumentos do Hubble tem uma confiabilidade estimada em mais de 80% em 2025, o que nos dá mais alguns anos de observação do universo. E segundo Ken Sembach, diretor do Space Telescope Science Institute, instituto responsável pelo controle e operação do telescópio, “o melhor ainda está por vir”.

Ele cita como exemplo um projeto chamado ULLYSES (Ultraviolet Legacy Library of Young Stars as Essential Standards), que pretende usar equipamentos sensíveis à luz ultravioleta instalados no telescópio para capturar detalhes da formação das estrelas.

Reprodução

Galáxia Pismis-24, fotografada pelo telescópio espacial Hubble

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Sembach afirma que nenhum outro de nossos telescópios espaciais têm a mesma capacidade ultravioleta do Hubble, e nenhum dos telescópios terrestres consegue “enxergar” essa forma de luz, pois ela é filtrada por nossa atmosfera. Ou seja, sem o Hubble o Ulysses seria impossível. “Com este programa e outras instalações que entrarão em operação, se não conseguirmos entender a formação estelar em uma década, provavelmente nunca entenderemos”, diz.

Outra tarefa na qual o Hubble é essencial é determinar a velocidade de expansão do nosso universo, chamada de “constante Hubble”. O telescópio já nos ajudou a determinar o valor desta constante no universo próximo com precisão de 10% do valor exato, como originalmente projetado. Depois, a precisão aumentou para 3%. Agora, os cientistas trabalham para chegar a 1%.

O Hubble também é apontado por Sembach como um complemento para o telescópio espacial James Web (JWST), que será lançado em 2021. Segundo o diretor, a “sobreposição” de informações capturadas pelos dois telescópios, que tem conjuntos de instrumentos diferentes, pode nos ajudar a entender melhor a formação de estrelas, das primeiras galáxias e dos planetas.

A possibilidade de uma missão de manutenção para reformar o telescópio, instalando novos sistemas e substituindo equipamento danificado ou obsoleto, não deve ser descartada. Afinal, a Nasa já fez isso cinco vezes nos últimos 30 anos. “Se o Hubble realmente deixar de funcionar em 2025, poderemos ter um intervalo de 10, 15, talvez 20 anos até que outro grande telescópio com as mesmas habilidades entre em operação. Quão danoso isso seria para nossa área?”, questiona.

Fonte: Scientific American