Matéria escura ‘perdida’ pode resolver mistério da astrofísica

Novo estudo aponta que atual modelo para medir a velocidade da expansão do universo talvez precise ser revisado
Redação 30/04/2020 16:18, atualizada em 30/04/2020 17:00
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Um novo estudo publicado por físicos da Universidade de Chicago, em Illinois (EUA), pode ajudar a ciência a resolver contradições sobre o ritmo de expansão do universo, segundo reportagem da revista Live Science.

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Os pesquisadores apontam que uma forma antiga de matéria escura foi formada nos primeiro momentos após o Big Bang. A matéria, no entanto, teria se esgotado com o passar do tempo, de forma a reduzir a massa total do universo e, consequentemente, as forças gravitacionais que o mantém o unido. O resultado disso, então, teria impactado na velocidade com que o universo se expande atualmente.

A teoria remete a uma discussão acadêmica denominada ‘tensão de Hubble’. É consenso que o universo está em expansão acelerada, mas diversas métricas aplicadas por cientistas produzem diferentes resultados sobre o ritmo desse processo.

Cálculo da expansão do universo

Os físicos calculam a expansão do universo a partir da constante de Hubble (H0), que trata de uma série de parâmetros relacionados a distância entre as matérias existentes nele. A constante ainda integra um conceito maior, chamado lei de Hubble, que expressa o entendimento de quanto mais distante uma matéria está de nós, mais rápida ela se move.

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Foto: simulação da estrutura em larga escala do universo com filamentos de matéria escura em azul e locais de formação de galáxias em amarelo. (Créditos Zarija Lukic / Lawrence Berkeley)

O problema é que há duas principais formas de calcular a H0. Uma delas, conhecida como mensuração local, corresponde a estudar as estrelas e galáxias que podem ser observadas pelos cientistas e medir diretamente a velocidade na qual se afastam.

Já o outro procedimento consiste em analisar parâmetros da Radiação Cósmica de Fundo em microondas (CMB). Trata-se de resquícios de radiação produzidos pelo Big Bang e distribuídas por todo o universo que carregam informações valiosas sobre sua expansão.

Matéria escura: quente ou fria?

A teoria ainda resgata outro embate a respeito da “temperatura” de matérias escuras. De acordo com a LiveScience, há décadas acreditava-se que a matéria escura poderia ser “quente” e se movia em velocidades próximas à da luz, no universo. A concepção foi desconstruída nos anos 80, quando cientistas apontaram que a matéria escura é fria e se expande em ritmo mais lento.

O segundo conceito é descrito em modelos de concordância, como o Lambda-CDM, que explica justamente as observações cósmicas realizadas sobre a radiação de fundo de microondas para fundamentar a expansão do universo.

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Via Láctea (Foto: reprodução)

Para Dan Hooper, coautor da pesquisa e diretor do grupo de teorias de astrofísicos no Laboratório de Aceleração Fermi em Batavia, Illinois, no entanto, após o Big Bang pode ter existido uma forma de matéria escura com temperatura intermediária entre os conceitos de matéria escura “quente” e o previsto no modelo Lambda-CDM.

“No nosso artigo defendemos que as coisas [matérias] quentes não são as que estão por aí hoje. É algo que foi criado no início do universo e, após milhares ou dezenas de milhares de anos, começou a decair. Tudo já se deteriorou”, disse Hooper.

Revisão de Modelos

A matéria escura “perdida” representava parte significante da massa do universo quando ela existia. Dessa forma, o ritmo de expansão era diferente quando a Radiação Cósmica de Fundo em microondas se formou. Agora, bilhões de anos depois do Big Bang, todas as estrelas e as galáxias se afastam de nós em velocidades determinadas pela atual massa do universo.

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Para Hopper, uma vez que este conceito pode ser determinante na expansão do universo, as contradições entre os métodos de mensuração local e da análise do CMB podem indicar a necessidade de revisar os modelos já determinados pela ciência. 

Fonte: LiveScience

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Redação

Redação é redator(a) no Olhar Digital

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