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Por Marcelo Zurita*

A chuva de meteoros Eta Aquáridas, com vista privilegiada do Hemisfério Sul do planeta, terá sua máxima na madrugada desta quarta-feira (6). O fenômeno formado por detritos do famoso Cometa Halley, em condições ideais de observação, poderá irradiar até 40 meteoros por hora.

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Por ser melhor observado em regiões tropicais do planeta, o Brasil é um dos privilegiados por sua localização geográfica. Será uma excelente oportunidade para observar a melhor chuva de meteoros do ano.

Reprodução
Cometa Halley registrado em 1986. Créditos: W. Liller

Considerado um dos espetáculos mais democráticos, a chuva de meteoros pode ser observada por qualquer pessoa que possua uma visão razoável e acesso a algum pedaço de céu. Não é preciso de telescópios, câmeras e nenhum equipamento especial. Basta ter disposição para perder algumas horas de sono e olhar para o céu.

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Eta Aquáridas registrada na Austrália em 2010. Créditos: Gang Li

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Meteoros e chuvas de meteoros

Um meteoro, popularmente conhecido como ‘estrela cadente’, nada mais é do que um fenômeno luminoso que ocorre quando um pequeno fragmento de rocha espacial atravessa nossa atmosfera em altíssima velocidade. Quando isso acontece, esse fragmento comprime e aquece muito rapidamente o gás atmosférico a sua frente, formando uma bolha de plasma (gás aquecido e ionizado).  Ele brilha como uma lâmpada por um tempo muito curto, questão de alguns poucos segundos.

Apesar de ser um evento comum e possível de ser visto com frequência em todas as noites, em certas épocas do ano, a Terra atravessa uma área do céu que possui uma quantidade maior de detritos deixados por cometas ou asteroides. Quando isso ocorre, vários desses fragmentos atingem a atmosfera ao mesmo tempo, formando as chuvas de meteoros.

Todos os meteoros de uma mesma chuva atingem a atmosfera paralelamente. Isso por que seguem aproximadamente a mesma órbita do cometa ou asteroide que deu origem a eles. Entretanto, devido ao efeito de perspectiva, para um observador na Terra, esses meteoros parecem se originar de um mesmo ponto no céu. No caso da Eta Aquáridas, esse ponto fica na Constelação de Aquários, próximo à estrela eta Aquarii. Por isso o nome ‘Eta Aquáridas’, pois os meteoros aparentemente vem da estrela eta Aquarii.

Eta Aquáridas deste ano

Esse ano, a Lua em fase crescente deve atrapalhar a visualização da Eta Aquáridas nas primeiras horas da madrugada. Entretanto, ela deve se pôr por volta das 3h30, justamente quando a Eta Aquáridas entra em sua melhor fase, em que poderão ser vistos até 40 meteoros por hora.

É uma chuva densa, constante e nunca decepciona, mesmo nas noites anterior e posterior à máxima. Formados por fragmentos que atingem a Terra a uma velocidade média 70 Km/s (252 mil Km/h), o que gera meteoros muito rápidos e luminosos, alguns deles deixam uma trilha ionizada por alguns segundos. Não é algo muito comum, mas alguns meteoros da Eta Aquáridas podem ser bastantes luminosos e explosivos.

ReproduçãoEta Aquáridas registrada no Deserto de Pilbara, na Austrália em 2013. Créditos: Colin Legg

Como o radiante dessa chuva fica na Constelação do Aquário, bem próxima ao equador celeste, as regiões tropicais do planeta são as mais privilegiadas para visualização, onde devem apresentar até 40 meteoros por hora. No Brasil, quanto mais próximo à linha do Equador estiver o observador, mais meteoros terá chance de ver. Pessoas no Norte e Nordeste do país, em condições ideais poderão observar (também) até 40 meteoros por hora. Em São Paulo, 37 e para os moradores do Rio Grande do Sul, cerca de 35 meteoros por hora.

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Taxa média de meteoros por hora para a Eta Aquáridas em 2020 em condições ideais de observação. Créditos: Bramon

Todas essas taxas são estimadas considerando condições ideais de observação, ou seja, uma noite sem nuvens em um local afastado das luzes das grandes cidades. A iluminação artificial é prejudicial porque ofusca as estrelas e os meteoros mais tênues. Então, se você está em uma cidade, procure desligar o máximo de luzes ao redor antes de iniciar as observações.

Como observar

A Eta Aquáridas, é uma das melhores chuvas de meteoros do ano para nós brasileiros. Ela ocorre entre 19 de abril e 28 de maio, que é o momento em que a Terra atravessa a trilha de detritos deixada pelo Cometa Halley em passagens anteriores pelo Sistema Solar Interior. O momento de maior intensidade dessa chuva será na madrugada de 6 de maio, quando passaremos pela região mais densa dessa trilha. O período é, sem dúvida, o melhor momento para se observar a Eta Aquáridas, especialmente, nas últimas horas do dia 5, quando a atividade de meteoros estará mais intensa. Entretanto, nas madrugadas do dia 5 e 7 também será possível observar uma boa quantidade de meteoros dessa chuva.

Entretanto é importante lembrar que o mundo vive uma pandemia e por isso, a melhor maneira de observar essa chuva de meteoros é ficando em casa. Procure um quintal, jardim, varanda, ou qualquer área que possa fornecer uma boa visão do céu. De preferência um local escuro ou o mais escuro possível. Uma cadeira de praia é excelente para se deitar e observar o céu de forma mais confortável, mas se não tiver, é possível utilizar um colchão ou algumas almofadas para se acomodar. Se a temperatura estiver baixa, cobertas e uma garrafa de café quente à mão podem ser boas companheiras para a noite de observação.

Apesar do radiante da Eta Aquáridas ficar em Aquário, você não precisa olhar em direção à Constelação para ver seus meteoros, pois eles aparecerão em todas as partes do céu. Elas parecerão apenas surgirem da Constelação, conforme mostrado na imagem abaixo. 

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Radiante da Eta Aquáridas – Créditos: Bramon

Para grande parte do Brasil, os meteoros vão começar a surgir após às 2h da manhã e se intensificarão ao longo da madrugada, principalmente após a Lua se pôr, por volta das 3h30 da manhã. O melhor horário para se observar a Eta Aquáridas deste ano é justamente entre o pôr da Lua e o amanhecer.

Já faz 34 anos desde a última passagem do Cometa Halley, em 1986, provavelmente muitos dos leitores que aqui estão não haviam nascido na época e muitos não estarão vivos quando ele passar novamente, em 2061. Mas felizmente, depois de sucessivas passagens por aqui ao longo de vários milênios, o Halley nos deixou bons motivos para não esquecermos dele.

Tanto a Eta Aquárida quanto a Oriónidas, em outubro, são chuvas de meteoros geradas por detritos deste cometa. Então, aos que se animarem para acordar de madrugada a fim de contemplar essa bela chuva de meteoros, não se esqueçam que estarão observando pequenos fragmentos que há milhares, talvez milhões de anos, se desprenderam do Cometa Halley e passaram esse tempo todo vagando pelo espaço, como se estivessem esperando o momento certo de atingir em nossa atmosfera e provocar esse espetáculo chamado de Eta Aquáridas.

 

Marcelo Zurita é presidente da Associação Paraibana de Astronomia, membro da SAB – Sociedade Astronômica Brasileira e diretor técnico da Bramon – Rede Brasileira de Observação de Meteoros