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Um novo estudo, realizado em Nova York, não encontrou evidências de que o medicamento hidroxicloroquina cause danos ou benefícios ao tratamento da Covid-19. “O risco de intubação ou morte não foi significativamente maior ou menor entre os pacientes que receberam hidroxicloroquina do que entre os que não receberam”, observaram os pesquisadores, no artigo publicado nesta quinta-feira (7) no New England Journal of Medicine.

Na pesquisa, 811 pacientes do Hospital Presbiteriano de Nova York receberam duas doses de 600 mg de hidroxicloroquina no primeiro dia e 400 mg por dia durante quatro dias. Outros 565 pacientes não receberam o tratamento. Comparando os dois grupos, “não houve associação significativa entre uso de hidroxicloroquina e intubação ou morte”, afirmou o estudo.

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Entre os pacientes que receberam hidroxicloroquina, 32,3% acabaram precisando de um ventilador ou morrendo, em comparação com 14,9% dos pacientes que não receberam o medicamento.

Como não houve aleatoriedade na escolha dos pacientes que receberiam a hidroxicloroquina ou placebo, os pesquisadores consideram que os resultados “não devem ser considerados para descartar benefício ou dano do tratamento com hidroxicloroquina. No entanto, nossas descobertas não suportam o uso de hidroxicloroquina no momento, fora de ensaios clínicos randomizados testando sua eficácia”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um entusiasta da eficácia do medicamento, originalmente criado para o tratamento da malária, no combate ao novo coronavírus. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro chegou a várias vezes citar o medicamento como uma possível cura, mas nas últimas semanas vem reduzindo o tom da empolgação.

“Não achamos, neste momento, dada a totalidade das evidências, que seja razoável administrar rotineiramente esse medicamento aos pacientes”, afirma Neil Schluger, chefe da divisão de medicina pulmonar, alergia e cuidados intensivos da Universidade de Columbia, que conduziu o estudo.

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Os resultados da pesquisa, porém, já mudaram a política do hospital em relação ao tratamento. “Nossa orientação desde o início sugeria a adoção da hidroxicloroquina para pacientes hospitalizados, e atualizamos essa orientação para remover essa sugestão”, afirma o médico.

Para Schluger, a necessidade urgente de ajudar pacientes em meio à uma pandemia levou muitos médicos e hospitais a se prenderem à hidroxicloroquina como uma terapia potencialmente eficaz. “Os médicos veem pacientes que estão morrendo a um ritmo inacreditável e querem fazer algo para tentar ajudá-los”, diz ele.

“Mas acho que a história da medicina nos mostra que alguns palpites estão certos e muitos, muitos, muitos deles estão errados”, completa.

Via: Times/Reuters/AFP