Estudo aponta redução de anticorpos três meses após infecção por Covid-19

A questão da duração da imunidade de Covid-19 ainda intriga cientistas do mundo. Até o momento, não há casos confirmados de reinfecção, mas como a doença ainda é muito nova, ninguém pode garantir por quanto tempo o sistema imunológico é capaz de proteger contra um novo contágio. Agora, um estudo chinês publicado na revista Nature traz novos dados sobre o assunto: pacientes viram seus níveis de anticorpos caírem após dois ou três meses de estarem curados.

O estudo de pequena escala conseguiu acompanhar 37 pessoas que por meio de rastreamento de casos puderam ser diagnosticadas com o coronavírus e foram hospitalizadas, mas que não desenvolveram os sintomas nem antes nem durante a internação, ainda que exames mostrassem alterações nos pulmões. No total, foram 178 pessoas acompanhadas pelo estudo.

Essas pessoas foram acompanhadas durante a hospitalização e depois para saber como o sistema imunológico reage a esse tipo de infecção. Logo de cara já foi possível perceber que casos com sintomas geram mais anticorpos do que os assintomáticos após uma medição feita em um período de 3 a 4 semanas após a exposição ao vírus.

No entanto, os pesquisadores também perceberam distinção na reação do sistema imunológico 8 semanas após a conclusão do caso e a dispensa do hospital. Cerca de 40% dos casos assintomáticos já tinham níveis indetectáveis de um dos anticorpos gerados pela infecção, o IgC, contra apenas 13% dos sintomáticos. Entre os anticorpos imunizantes, a queda não foi tão grande, mas foi notada nos dois grupos: 81% dos assintomáticos viram uma redução, contra 62% entre os sintomáticos.

O artigo não tenta responder o que isso significa para a imunidade de longo prazo para Covid-19, mas traz informações que podem servir para entender melhor os riscos de medidas como “passaportes de imunidade“, que dariam aos recuperados da doença mais liberdade para retomar uma vida normal e o trabalho. Também aponta para os riscos de se esperar por uma imunidade coletiva (a imunidade de “rebanho”), deixando a população se infectar livremente na esperança de que, quando o vírus alcançar um número alto o suficiente de pessoas, ele para de circular por não encontrar mais organismos suscetíveis à infecção. São estratégias inviáveis se a imunidade durar apenas 3 meses.

Outro estudo publicado pela Nature traz mais informações sobre esse assunto, indicando que os anticorpos imunizantes remanescentes após um período de infecção também são os mais potentes contra o vírus. Os pesquisadores, no entanto, não podem dar certeza se apenas esse baixo nível de anticorpos seria capaz de impedir uma nova infecção.

Esta post foi modificado pela última vez em 19 de junho de 2020 19:00

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Publicado por
Renato Santino