Para entender os processos que levam ao envelhecimento, e ajudar na recuperação de vários distúrbios neurológicos, pesquisadores conseguiram registrar em um vídeo como o cérebro lida com neurônios mortos  que podem afetar o sistema nervoso. O estudo inédito, conduzido na Escola de Medicina da Universidade de Yale, foi publicado na Science Advances.

Essas células mortas podem ser converter em toxinas que podem congestionar certas vias e danificar o sistema nervoso. “Se você parasse de coletar lixo na cidade de Nova York, não conseguiria entrar. Haveria detritos por toda parte”, compara o neurocirurgião Eyiyemisi Damisah. De acordo com o pesquisador, o cérebro, assim como a cidade, requer um descarte eficiente de “lixo”.  

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Células morrem todos os dias, durante o crescimento e desenvolvimento no cérebro, mas a observação de como funciona essa remoção de “cadáveres” em um organismo vivo é limitada. Além de acontecer com muita velocidade, o momento e local do processo são impossíveis de se prever. Para conseguir o registro, os pesquisadores de Yale desenvolveram métodos fotoquímicos e virais para induzir a morte em células cerebrais únicas em ratos vivos.

A técnica, batizada de “2Phatal”, usa marcadores fluorescentes capazes de mostrar como as células da glia (que proporcionam suporte e nutrição aos neurônios) removem as células mortas em tempo real. “É a primeira vez que o processo é visto em um cérebro de mamífero vivo”, explica o estudo.

“Em vez de bater no cérebro com um martelo e causar milhares de mortes, induzir uma única célula a morrer nos permite estudar o que está acontecendo logo após as células começarem a morrer e observar as muitas outras células envolvidas na remoção”, explica o médico Jaime Grutzendler, coautor da pesquisa.

As observações constataram que micróglia, astrócitos e células NG2 (três tipos de células da glia no sistema nervoso central) trabalham de maneira altamente coordenada para remover células mortas e detritos – cada com uma função diferente.

Uma micróglia envolve o corpo do neurônio e seus principais ramos (dendritos), enquanto os astrócitos têm como alvo dendritos de conexão menores para remoção. Os médicos acreditam que o NG2 possa ajudar a impedir que os detritos das células mortas se espalhem. Porém, se uma célula perde a capacidade de sentir o neurônio que está morrendo, outras assumem o controle.

Os pesquisadores também notaram que as células da glia demoravam pelo menos o dobro do tempo para remover um neurônio inativo em um cérebro envelhecido. Essa observação pode ter implicações importantes para o entendimento do declínio funcional do cérebro com o passar do tempo. “Presumivelmente, se as células estão morrendo e há uma remoção ineficiente delas, os detritos podem estar causando mais danos e inflamação”, acredita Grutzendler.

Via: Yale School of Medicine/Science Alert