A superfície da Lua foi tomada por um vasto oceano de magma por até 200 milhões de anos, aponta uma nova pesquisa publicada na revista Science Advances. A descoberta propõe perspectivas inéditas sobre a formação do satélite terrestre e do Sistema Solar, ao passo que estudos anteriores indicavam que o fenômeno ocorrido na superfície do astro havia perdurado somente por vinte milhões de anos.

A principal hipótese acerca do surgimento da Lua indica que ela se formou a partir da colisão da Terra com um protoplaneta do tamanho de Marte chamado Theia. Os materiais difundidos com o impacto se aglutinaram na órbita da Terra, formando a Lua. A forma primitiva do astro, no entanto, não era nada parecida com a que podemos observar atualmente.

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Como explica Maxime Maurice, cientista planetário do Centro Aeroespacial da Alemanha e autor principal do trabalho, ao Space.com, a Lua recém-formada era extremamente quente. As temperaturas elevadas levaram ao derretimento do manto rochoso dos materiais que formaram o astro e isso resultou no oceano de magma relatado no estudo. O cientista pontua que, embora o fenômeno seja amplamente aceito na comunidade acadêmica, o tempo estimado de solidificação do magma ainda é incerto.

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 Ilustração artística do oceano de magma e primeira crosta rochosa na Lua. Imagem: NASA

Na nova pesquisa, Maurice e seus colegas desenvolveram um modelo matemático para medir o tempo de solidificação do magma. Segundo ele, a pesquisa considera a influência de uma variedade de fatores que foram levados em conta em outros trabalhos. O pesquisador cita como exemplo o processo de convecção mantélica, ou seja, o deslocamento do manto rochoso provocado por correntes de convecção de calor.

O modelo inédito indicou que o oceano de magma lunar foi solidificado entre 150 milhões e 200 milhões de anos, um período até 10 vezes superior aos registrados anteriormente. Além disso, o estudo apontou que a Lua se formou entre 4,4 bilhões e 4,45 bilhões de anos atrás, em torno de 50 milhões ou 100 milhões de anos depois do que o relatado em outros estudos, diz Maurice.

As projeções também sugerem que grandes colisões, como a que deu origem à Lua, ainda ocorriam no Sistema Solar após cerca de 150 milhões de anos do seu surgimento. Para o pesquisador, as novas evidências podem apoiar novas descobertas sobre a formação não só da Lua, mas também da Terra e de todo o nosso ecossistema planetário.

Fonte: Space.com