Pedro Moreira Folegatti é líder da pesquisa que resultou na vacina da Universidade de Oxford contra a Covid-19. Em entrevista ao Estadão, ele contou detalhes e desafios de sua produção, e afirmou que esta certamente não será a última pandemia que enfrentaremos. 

A vacina desenvolvida pela equipe de Pedro foi feita usando fragmentos do vírus do resfriado (chamado adenovírus). Primeiro, os cientistas eliminam do microorganismo os genes responsáveis por sua reprodução. Desse modo, uma vez injetado no corpo, ele é incapaz de se espalhar pelas células. Depois, a equipe inclui em seu DNA proteínas do novo coronavírus, que “enganam” nosso sistema imunológico e o fazem criar imunicação contra a Covid-19.

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Vacina produzida em Oxford é feita com fragmentos do adenovírus, causador do resfriado. Imagem: Pete Linforth/ Pixabay

Epidemias são inevitáveis

Pedro contou que ele e sua equipe já trabalhavam na vacina desde janeiro, quando a doença ainda era restrita a alguns países da Ásia. Antes, eles já vinham tentando desenvolver uma vacina para a Síndrome Respiratória do Oriente Médio, rara no Brasil. De qualquer modo, é consenso na infectologia que epidemias causadas por vírus respiratórios são inevitáveis, e sempre aparecem uma hora ou outra. Por isso, os pesquisadores do Jenner Institute, centro de pesquisa do qual ele faz parte em Oxford, já contavam com a estrutura laboratorial e científica para iniciar os ensaios clínicos de um imunizador.

O pesquisador afirmou que é certo que o mundo ainda enfrentará novos surtos e epidemias. Antes do surgimento da Covid-19, a comunidade científica internacional se preparava para uma “Doença X”, e, assim como o coronavírus, outras surgirão. O que não pode ser previsto é a magnitude de cada epidemia — de acordo com Pedro, o impacto da pandemia atual foi impressionante.  

Formado pela Universidade do ABC, ele afirma que começou a trabalhar na vacina desde o primeiro dia em que teve acesso ao sequenciamento genético do novo coronavírus, e dá destaque à força-tarefa criada pelo governo britânico para possibilitar sua pesquisa. Para ele, isso mostra como a ciência deve ser valorizada durante e, principalmente, antes do aparecimento de epidemias. 

Entretanto, não é certeza se a vacina irá realmente funcionar. O pesquisador explica que, embora a tenha mostrado resultados promissores, ainda não se sabe se ela é totalmente eficiente na prevenção da doença. “Como tudo na vida, existe a chance de não dar certo, mas estamos confiantes”, disse. 

Via: Estado de São Paulo