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Em 30 de maio, os olhos do mundo inteiro se voltaram para o Cabo Canaveral, na Flórida, de onde a missão Crew Demo-2 partiu para a Estação Espacial Internacional (ISS). O entusiasmo era justificável: sair da Terra em direção ao espaço é algo que mexe com a imaginação. Para a Reuters, os astronautas Bob Behnken e Doug Hurley disseram que, de fato, ser lançado para fora do planeta é uma experiência fantástica, mas a volta é uma aventura igualmente emocionante.

Bob e Doug narraram os momentos finais da missão durante uma coletiva de imprensa no centro de comando da Nasa em Houston. Eles disseram que, conforme o veículo ativava os propulsores para desacelerar a queda, era como se ele “ganhasse vida”.

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“Quando a cápsula atinge a atmosfera, o som não lembra uma máquina, mas sim um animal”, descreveu Behnken aos jornalistas. 

A experiência fica mais eletrizante ao passo em que o veículo avança através da atmosfera. O efeito de fricção faz com que a camada externa da cápsula atinja a temperatura de 1.927 ºC, e diminui sua velocidade de descida para “apenas” 563 km/h. Nada disso parece silencioso. 

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Os astronautas Bob Behnken e Doug Hurley após a aterrissagem. Imagem: Nasa

Não dá para sair vivo de uma queda a quase 600 quilômetros por hora. Por isso, passada a primeira camada da atmosfera, é acionado o primeiro conjunto de paraquedas. A diminuição da velocidade é abrupta, como quando o motorista de um carro muito veloz pisa bruscamente no freio.

Behnken descreveu a sensação como “um choque muito significativo”. “É como se você estivesse sentado e alguém desse um golpe no encosto da cadeira com um taco de beisebol”, afirmou.

A partir desse ponto, a aterrissagem finalmente fica mais tranquila. O segundo paraquedas atenua a descida para uma velocidade de 24 km/h, até que a cápsula pousa no oceano de forma “impecável”, como classificou Hurley. Depois disso, foi só esperar a equipe de resgate da SpaceX e aproveitar as sensações que, de todo o universo, só existem na Terra (supostamente): ar fresco, gravidade agradável para o corpo humano e uma vasta e bela visão do mar.

Na verdade, de acordo com Hurley, havia uma última coisa a ser feita: passar trotes. Brincadeiras à parte, ele explicou que precisava comprovar o funcionamento de seu telefone via satélite, que seria utilizado caso ocorresse algum imprevisto durante a descida. Afinal, a Crew Dragon caiu no lugar certo, mas poderia ter acabado parando longe dali, e um astronauta precavido vale por dois.