O governo da China forneceu à CanSino Biologics, empresa biofarmacêutica, aprovação da patente da vacina Ad5-nCOV, criada pela companhia em parceria com a Academia de Ciências Militares da China. Essa é a primeira aprovação concedida pelo país a um possível candidato a imunizante contra o novo coronavírus

A patente foi concedida pelo Escritório Nacional de Propriedade Intelectual em 11 de agosto, mas só foi divulgada no domingo (16). A concessão abre portas para uma possível produção “em massa em um curto período de tempo”, segundo o jornal chinês People’s Daily.

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Mesmo após a aprovação da patente, a “segurança e a eficácia devem ser comprovadas na terceira fase”. Para tentar imunizar indivíduos contra o vírus, o projeto da CanSino utiliza uma técnica baseada no chamado vetor de adenovírus recombinante.

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Empresa CanSino recebeu patente de sua vacina. Foto: iStock/FilippoBacci

Para comprovar o potencial do imunizante, a Arábia Saudita informou que deve iniciar testes da fase três em breve. Além disso, a CanSino demonstrou interesse em realizar o teste da vacina em outros países. Para isso, a empresa informa que realiza negociações com a Rússia, Chile e Brasil.

Em um comunicado enviado ao jornal Global Times, a CanSino disse que a patente confirma “ainda mais a eficácia e a segurança da vacina, que demonstrou de forma convincente a propriedade de seus direitos de propriedade intelectual”.

De acordo com Xu Xinming, advogado de Pequim que é especializado em propriedade intelectual, as concessões da China são sempre baseadas em um sistema bastante rigoroso e completo. Segundo ele, para que o país registre uma patente, deve-se ficar comprovado que o produto é diferente do que já existe no mundo. “A concessão da patente demonstra a originalidade e criatividade da vacina”, disse.

Apesar de especialistas considerarem que uma patente do tipo concedida oficialmente pode aumentar a confiança do mercado no produto e facilitar sua comercialização, um funcionário da CanSino negou que o processo de registro tivesse ligação com a venda do imunizante. Ele reforça que as duas questões estão sob supervisão de sistemas diferentes.

Vacina da Rússia

Primeiro país a registrar um antídoto contra o coronavírus, a Rússia anunciou, neste sábado (15), o início do primeiro lote da vacina Sputnik V contra a Covid-19. Em comunicado, o governo russo disse que “a produção de uma vacina contra nova infecção por coronavírus, Covid-19, desenvolvida pelo Centro de Pesquisa Gamaleya do Ministério da Saúde da Rússia, já começou”.

A divulgação da vacina acontece em meio a contestações de diversos países sobre a eficácia do antídoto. Além de os testes clínicos russos terem iniciado há apenas dois meses, os resultados dos experimentos — realizado em apenas 38 indivíduos — não foram divulgados abertamente para o mundo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que está em contato direto com autoridades da Rússia para que o aval da vacinação seja concedido. No entanto, a organização ressaltou a necessidade de uma revisão rigorosa de dados sobre segurança e eficácia do antídoto, de modo que a agilidade da distribuição russa não coloque em risco a saúde de sua população.

Via: CNN