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Os Estados Unidos contabilizam o maior número de mortos pela Covid-19 no planeta: até agora, mais de 185 mil pessoas morreram pela doença no país, que ultrapassa os 6 milhões de casos, segundo a Universidade Johns Hopkins. Em resposta, autoridades americanas discutem as mais variadas saídas para combater a pandemia.

Uma das alternativas mais polêmicas é a chamada “imunidade de rebanho“, que tem sido defendida por Scott Atlas, neurorradiologista e consultor de pandemia do presidente dos EUA, Donald Trump. Membro da conservadora Hoover Institution, de Stanford, Atlas começou seu mandato de conselheiro no último mês de agosto, realizando declarações controversas, que contradizem a ciência e as autoridades de saúde. 

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Agora ganhou a vez da chamada “imunidade de rebanho”, ou imunidade coletiva. Essa é a premissa de que, em determinada comunidade, ocorre um ponto em que há uma quantidade significativa de pessoas com anticorpos por terem entrado em contato com um agente infeccioso — como o Sars-Cov-2 — ou tomado vacina. Desse modo, isso acaba protegendo também os que não são imunes. Por consequência, fica mais difícil o agente circular e o número de infectados cai.

mask-4898571_1280.jpg A imunidade de rebanho é quando um determinado número de pessoas infectadas por um agente infeccioso adquire anticorpos e isso forma um “escudo”, que protege também os não imunes. Crédito: Coyot/Pixabay

A questão é que, com base nesse conceito teórico, países como Reino Unido e Suécia cogitaram deixar em contato com o vírus os menos suscetíveis a um quadro grave da Covid-19 para originar essa suposta imunidade. Por exemplo, jovens sem doenças crônicas não entrariam no isolamento social, que seria restrito à população de risco.

Porém, como o número de mortes começou a aumentar, os governos passaram a rever essa estratégia. Além disso, a preocupação é que não sabemos quantas pessoas precisariam se tornar imunes ao novo coronavírus para atingir o ponto de imunidade coletiva. Esse conceito também não evita que pessoas saudáveis e com menos riscos não adquiram resistência e acabem morrendo de infecções graves.

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Até porque não se sabe como funciona essa tal geração de anticorpos ao vírus: à exemplo das discussões que tomaram o mundo após o primeiro registro de um caso de reinfecção, que ocorreu em Hong Kong. Ou seja, não é certo até que ponto uma pessoa recuperada pode permanecer no “pool de imunidade”. Nem tampouco está confirmada a porcentagem exata de infectados para que se atinja uma “imunidade de rebanho”. 

Controvérsias de Scott Atlas

O fato de Scott Atlas se posicionar na Casa Branca a favor da “imunidade de rebanho” preocupa especialistas como Paul Romer, da Universidade de Nova York e ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2018.”O governo enfrenta alguns obstáculos muito sérios para apresentar esse argumento. Um deles é que muitas pessoas morrerão, mesmo se você puder proteger as pessoas em casas de repouso”, condenou, de acordo com o The Washington Post

Entre as declarações mais criticadas de Atlas, está uma dada em julho, em uma entrevista concedida à Fox News. Na ocasião, o consultor americano defendeu a volta às aulas e disse que para as crianças há “risco virtualmente zero” de “adquirirem algo sério ou morrerem” — algo sem embasamento científico.

Além disso, o conselheiro é a favor de que os Estados Unidos adotem o modelo da Suécia — país cujo epidemiologista responsável, Anders Tegnell, admitiu em junho os próprios erros. Segundo ele, não impor um bloqueio mais duro causou mais mortes do que o esperado na nação. Por lá, a estimativa é de 5,8 mil mortos e 84 mil casos. Esses números fazem o estado escandinavo um dos mais afetados em dados proporcionais a sua população.

Fonte: The Washington Post