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Nos últimos meses, algumas das principais revistas científicas do mundo fizeram editoriais mostrando apreensão com uma eventual reeleição do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e dando apoio a candidatura do rival, democrata, Joe Biden.

Em um movimento que não é típico de revistas científicas, elas tratam a reeleição de Trump como um retrocesso na ciência e um agravamento na crise sanitária que vive o país e o mundo devido à pandemia do novo coronavírus.

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“Por que os Estados Unidos lidaram com essa pandemia tão mal? Falhamos em quase todas as etapas. Recebemos um amplo alerta, mas, quando a doença apareceu pela primeira vez, não fomos capazes de testar com eficácia e não pudemos fornecer nem mesmo equipamentos de proteção individual aos profissionais de saúde”, escreveu os editores do The New England Journal of Medicine, comentando que Trump poderia ter feito mais para conter o surto.

Já a revista Scientific American, que existe desde 1845, afirmou que precisou romper com a neutralidade de 175 anos e falar pela ciência nesta eleição presidencial.

Sob o título “Scientific American endossa a candidatura de Joe Biden”, a publicação diz que Donald mentiu sobre a ameaça que é a Covid-19, dizendo ser uma gripe, e isso encorajou que muitas pessoas tivessem comportamento de riscos, promovendo uma ainda maior transmissão do vírus. “É hora de tirar Trump e eleger Biden, que tem um histórico de acompanhar os dados e ser guiado pela ciência”, conclui o texto.

Outra revista científica que mostrou apoio a Joe Biden foi a britânica Nature, que falou que Trump tem desprezo pela ciência. “Não podemos ficar parados e deixar a ciência ser prejudicada. A confiança de Joe Biden na verdade, nas evidências, na ciência e na democracia fazem dele a única escolha nas eleições dos EUA”.

ReproduçãoRevistas científicas se destacam por publicar artigos de pesquisadores e promover o progresso da ciência. Foto: Unicamp

Segundo o historiador e professor da Universidade de Harvard, Alex Csiszar, esse movimento dos periódicos científicos rompe com um padrão ficcional que já vigora há séculos na área e defende uma divisão entre a ciência e a política.

Conforme explica, isso é algo relativamente novo, pois, anteriormente, as publicações com foco em Ciência e Medicina já mostravam suas preferências políticas, geralmente ligadas a governos que financiavam novas tecnologias.

“A presunção de que a literatura científica pode ser um bastião de objetividade e de que pode manter a verdade científica distante da política não é permanente nem realista; e se estiver em declínio, talvez seja melhor assim”, conclui Csiszar.

Fonte: Wired