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Apesar de intensas pesquisas realizadas ao longo do último ano, muito sobre a Covid-19 ainda é desconhecido, especialmente em relação à resposta imunológica produzida pelo organismo contra a infecção. Um estudo conduzido nos Estados Unidos e publicado na revista Immunity pela Universidade do Arizona traz uma boa notícia: a presença de anticorpos eficazes contra o coronavírus no organismo foi recorrente mesmo após 7 meses da infecção entre os pacientes acompanhados

A pesquisa traz uma nova luz sobre o tema. Vários estudos mostraram que, após uma infecção, vários pacientes mostraram uma redução drástica em anticorpos após um período de 3 meses, e alguns passaram até mesmo a apresentar níveis indetectáveis no sangue. No entanto, a nova pesquisa acompanha um outro tipo de resposta imune, diferente do que as primeiras análises apontavam.

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Como explica o comunicado da universidade, quando o vírus infecta uma célula, o sistema imunológico ativa células plasmáticas de baixa duração, que produzem os anticorpos para combater o vírus imediatamente. Essa resposta aparece nos testes sorológicos em cerca de duas semanas após a infecção, mas pode se dissipar após pouco tempo. O que os pesquisadores fizeram foi acompanhar a segunda etapa da resposta, que cria células de plasma responsáveis pela criação de anticorpos específicos de longo prazo, criando uma resposta contra o vírus de maior duração.

Pela pesquisa, essa segunda resposta se mostrou em níveis viáveis por um período de pelo menos cinco a sete meses, mas os cientistas acreditam que esses anticorpos devem ter uma vida ainda mais longa. As respostas definitivas sobre a duração é essa resposta só deve sair com um acompanhamento ainda mais prolongado, mas 7 meses já é um bom sinal.

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“O espaço de tempo mais longo após em indivíduos foi de 7 meses, então é o período mais longo que podemos confirmar. Isso dito, sabemos que pessoas infectadas com o primeiro coronavírus da Sars, que é o mais similar ao Sars-Cov-2, ainda têm imunidade após 17 anos da infecção. Se o Sars-Cov-2 for minimamente parecido com o primeiro, esperamos que os anticorpos durem pelo menos dois anos, e seria improvável ser menos do que isso”, diz Deepta Bhattacharya, professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Arizona em Tucson. Os pesquisadores acreditam que as reinfecções registradas até o momento em um prazo inferior a esses são exceções e apenas casos pontuais, e não a regra.

Apesar de o estudo ter acompanhado cerca de 6.000 pessoas, os pesquisadores conseguiram detectar o contágio e monitorar a resposta imunológica em 200 delas, como relata o El País. Em apenas 6 dos casos o contágio foi estimado em um prazo entre 5 e 7 meses, no entanto.

A pesquisa também traz alguma perspectiva positiva para uma possível vacina contra a Covid-19, que, para ser tão útil como se espera, precisaria induzir a produção de uma resposta duradoura. Se fosse necessário vacinar a população a cada três meses, a campanha poderia ser inviável econômica e logisticamente.