Review de ‘Age of Empires III: Definitive Edition’: o clássico voltou

A franquia Age of Empires teve o seu início ainda nos anos 90 e fez bastante sucesso na época por ser bem inovadora. Já o terceiro título da série, lançado originalmente em 2005 também conquistou muitos fãs e ficou conhecido por ter mudado algumas mecânicas, que marcaram presença nos primeiros jogos.

Já neste mês, a Microsoft lançou o “Age of Empires III: Definitive Edition”, que se trata de uma versão repaginada do clássico com algumas melhorias pontuais para que ele seja atrativo até mesmo para novos jogadores. O Olhar Digital teve a chance de analisar o jogo e te conta a seguir o que achou dele. Confira!

História, missões e modos de jogo

Antes de entrar nos detalhes da história, vale lembrar, o jogo original lançado em 2005 continha apenas uma campanha, o que mudou com o lançamento de dois pacotes de expansão. Já em Age of Empires III: Definitive Edition, felizmente, a Microsoft já deixou tudo incluso no pacote, ou seja, você não precisa gastar com nenhum DLC para ter a história deste clássico completa.

Ao todo, o Age of empires III traz em torno de 60 missões para a sua campanha single-player, que retrata diferentes nações. A primeira, chamada de “Sangue, Gelo e Aço”, mostra a história de Morgan Black e seus descendentes em lendas que envolvem a “fonte da juventude” e aborda o período da colonização dos Estados Unidos até o século XIX.

Já a segunda campanha chamada de “Fogo e Sombra” ainda segue os acontecimentos da família Black, mas seu protagonista é o Nathaniel Black e também retrata outros acontecimentos históricos de tribos nativo-americanas. Por sua vez, a última campanha “As Dinastias Asiáticas” é quem traz uma história sem a família Black e retrata acontecimentos das nações japonesas, chinesas e indianas.

Ao todo, juntando o tempo para zerar as três expansões, dependendo do nível de dificuldade escolhido, você leva em entre 30 a 35 horas para fechar o jogo. A história destas expansões, de forma geral, acaba sendo contada de forma bem simples e através de pequenas cenas, que praticamente apenas servem de contexto para você partir para a ação.

A campanha single-player do jogo, apesar de demonstrar tal simplicidade, ainda é capaz de oferecer um bom nível de diversão. Pessoalmente, devo admitir, eu já não lembrava mais de todos os detalhes do jogo original e achei 30 horas para zerar o jogo um tempo justo e não demasiadamente exagerado. Ainda por falar do jogo original, vale notar, o estúdio World’s Edge, responsável pelo Age of Empires III: Definitive Edition, fez algumas alterações nas histórias da campanha para corrigir alguns erros cometidos anteriormente.

Além destas histórias com uma liberdade mais criativa, Age of Empires III: Definitive Edition também traz um modo com batalhas que realmente aconteceram chamado de “Batalhas Históricas”. Aqui, apesar de se tratar de um modo mais curto, a experiência acaba sendo positiva, mesmo que não muito diferente.

Já em relação as missões da campanha principal, infelizmente, ao menos para os padrões mais atuais, Age of Empires III: Definitive Edition não traz uma grande variedade de objetivos. De forma geral, ao começar uma missão, você deve formar ou defender a sua base para poder criar colonos, guerreiros e destruir o quartel ou edificações adversárias.

Entretanto, o que pode deixar os jogadores presos por mais um tempo no jogo é a famosa platina, uma vez que praticamente todas as missões do jogo possuem objetivos secundários, que nem sempre são fáceis de serem realizados e que podem estender o tempo gasto na campanha.

Por fim, mas não menos importante, o modo multiplayer do Age of Empires III: Definitive Edition é quem deve entreter as partidas por mais tempo com até 8 jogadores e até 4 tipos de jogo. Aqui, vale notar, a Microsoft teve um capricho especial ao incluir um servidor brasileiro e até mesmo ao manter o suporte para jogos via rede (LAN), que hoje talvez não venha a ser muito utilizado.

Gráficos e o que mais mudou na Definitive Edition

Logo ao instalar o Age of Empires III: Definitive Edition, uma mudança simples já fica logo em evidência e ela acaba sendo um dos pontos altos aqui. Antes de começar sua primeira partida, você já tem a opção de escolher de como será a interface do usuário. No jogo original nem sempre era fácil você ficar de olho nos recursos enquanto criava unidades, entretanto, nesta versão, ficou mais prático controlar tudo com as duas novas opções de layout.

Já em relação aos gráficos, nós temos que admitir que Age of Empires III: Definitive Edition oferece uma experiência mista, que as vezes agrada, mas que poderia ter um pouco mais de capricho em outros pontos. Os detalhes dos cenários do jogo, como o terreno e as edificações, por exemplo, são bem bonitos e contam com texturas bem trabalhadas.

Os mares, por sua vez, ganharam detalhes novos como alguns “peixes saltitantes”, que são meramente cosméticos, mas que dão aquele certo charme e vida ao jogo. Não somente isso, é claro, além destas mudanças, agora, o jogo também está otimizado para rodar em resoluções maiores, uma vez que muita coisa mudou desde 2005.

Apesar destas mudanças serem bem vindas, é verdade, que nem sempre elas são constantes ou, melhor ainda, notáveis. Para uma pequena comparação, eu cheguei até mesmo a instalar o jogo original e, em alguns poucos casos, as mudanças gráficas pareciam afetar apenas alguns tons de cores e outros detalhes não muito relevantes.

Já um ponto que eu gostaria de ter visto mais bem trabalhado em Age of Empires III: Definitive Edition são em algumas unidades, ou se preferir, tropas. Apesar de trazer, por exemplo, a cavalaria ou a infantaria bonita, muitos soldados e aldeões ainda parecem usar modelos antigos, que ao tirar um pouco do zoom do jogo, são facilmente confundidos.

Por sua vez, quem também recebeu um trabalho extra foram as cut-scenes, que como mencionamos anteriormente, aparecem para contar pequenos detalhes dos protagonistas da campanha do jogo. Apesar de estarem mais bonitas do que no game original, elas ainda destoam um pouco em qualidade de títulos mais novos, mas não vamos contar isso como um contra, afinal, estamos falando de um upgrade de um jogo de 2005 e sabíamos que nem tudo seria refeito.

Outra mudança importante vista em Age of Empires III: Definitive Edition é que as metrópoles, agora, podem ser utilizadas em qualquer campanha, diferente do que acontecia no jogo original. De forma geral, elas ajudam bastante os jogadores a obterem recursos (incluindo até tropas) junto com as cartas, que podem ser personalizadas. Ainda em relação as metrópoles, você também pode incrementar o seu visual com certos itens, mas, pessoalmente, eu já achei essa parte bem simples, uma vez que ela não adiciona muito ao jogo e será vista poucas vezes.

Dificuldade na medida certa para qualquer jogador

Voltando a entrar no assunto das missões, de forma geral, a jogabilidade de Age of Empires III: Definitive Edition não muda muito durante a sua campanha. Neste quesito, inclusive, a Microsoft optou por ser mais tradicional e até mesmo itens como o “limite de unidades a serem selecionadas” continua o mesmo.

Para todas as missões de sua campanha, o jogo traz três níveis de dificuldades, que são: Easy, Moderado e Difícil. O primeiro nível, é claro, é justamente feito para quem só quer curtir a história do jogo sem se frustrar ao morrer nas missões e exige pouco esforço do jogador para prosseguir.

Já no moderado, você até sofre um pouco mais para passar de fases, mas ele ainda não oferece uma dificuldade muito alta e, de forma geral, apenas mais tempo será necessário para alcançar os objetivos.

Por fim, no modo difícil, os seus inimigos constantemente estarão atacando a sua base (o que não ocorre com frequência nos outros níveis) e você terá que ficar atento ao “micro” de suas unidades para triunfar.

Entretanto, independentemente do modo selecionado, como acontece praticamente com qualquer outro jogo de estratégia, em Age of Empires III: Definitive Edition, de acordo com a sua missão, você tem que definir qual tipo de unidade é o mais indicado para acabar com tal tipo de tropa.

Alguns outros pontos que não melhoraram e pequenos bugs

Apesar de ter recebido muitas novidades positivas, ainda existem alguns pontos nesta versão do Age of Empires que me incomodaram um pouco. O principal deles fica por conta do “pathfinding” (o caminho adotado pelas unidades), que por muitas vezes optam pelo local mais difícil para passar. Por exemplo, você vê um caminho aberto onde suas tropas podem passar, mas ao invés de seguirem por ele, elas preferem passar no meio de “duas árvores”, o que é claro, leva muito mais tempo e desorganiza a sua formação.

Além deste detalhe, até mesmo a “ordem de ataque” do jogo não te obedece por completo em alguns momentos. Assim, mesmo tendo pedido para um grupo atacar uma estrutura, não é incomum que você veja uma de suas unidades atacando algo aleatório.

Já nas cut-scenes, que são dubladas, nós também pegamos alguns pequenos bugs. Por exemplo, em alguns momentos nós notamos que o estava sendo dito não era o que estava sendo legendado. Não apenas isso, em determinado momento, os meus personagens começaram a falar em “inglês”, apesar da dublagem existir. Esse problema pode até ser resolvido com uma pequena atualização, mas é um “mínimo” detalhe que incomoda.

Conclusão

O Age of Empires III: Definitive Edition é uma opção certa para os fãs de estratégia em tempo-real, que estão à procura de uma campanha relativamente longa e de confrontos online. O jogo, em comparação ao título de 2005, pode trazer poucas mudanças, mas que honestamente são essenciais para que ele fique jogável em 2020 e até mesmo agradável para jogadores mais novatos.

É claro que nós ainda gostaríamos de ver algumas melhorias extras, que talvez até sejam adicionadas com pequenas atualizações, mas estes pequenos problemas e bugs não ofuscam a sua qualidade.

Para testar o game, a Microsoft enviou ao Olhar Digital uma cópia do jogo para PC.

Esta post foi modificado pela última vez em 23 de outubro de 2020 20:02

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Publicado por
Alvaro Scola