Funcionários da Amazon em 15 países organizam protestos na Black Friday

Parece que Jeff Bezos, dono da Amazon e homem mais rico do mundo, terá grandes questões para resolver nesta Black Friday. O movimento #MakeAmazonPay anunciou uma série de protestos por parte dos funcionários da empresa em vários países. A ação ocorre nesta sexta-feira (27), dia que abre a alta temporada de vendas não só no e-commerce, mas também em outras áreas do comércio mundial.

De acordo com o grupo, profissionais de toda a cadeia de abastecimento da companhia vão parar no Brasil, México, Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, França, Bélgica, Luxemburgo, Itália, Polônia, Índia, Bangladesh, Filipinas, Austrália, e Alemanha, sendo que neste último caso, mais de três mil trabalhadores deverão participar do ato.

Funcionários da Amazon farão protestos nesta sexta-feira de Black Friday. Créditos: Tada Images/Shutterstock

De acordo com o site Vice, dentre as reivindicações estão o “aumento dos salários dos trabalhadores em todos os depósitos da Amazon, incluindo pagamento de prêmio durante os períodos de pico e pagamento de periculosidade durante a pandemia; reintegrar todos os trabalhadores que foram demitidos após falarem sobre saúde e segurança no trabalho; dar aos sindicatos acesso aos locais de trabalho da Amazon para falar com os trabalhadores; compromisso com emissões zero até 2030; acabar com a venda de dispositivos que dependem de práticas de vigilância em massa, como Amazon Ring; e o pagamento integral dos impostos onde ocorre a atividade econômica”.

Cabe destacar que muitas destas demandas já estão entre os pedidos de outras instituições pelo mundo, como, por exemplo, a UNI Global Union, Greenpeace, a Athena Coalition, o Movimento Sunrise, etc. Também vale lembrar que na alta temporada da Amazon são registrados mais acidentes de trabalho, bem como o aumento exponencial de serviços para funcionários de depósitos e entregadores.

“Durante a pandemia de Covid-19, a Amazon se tornou uma corporação de trilhões de dólares, com Bezos se tornando a primeira pessoa na história a acumular US$ 200 bilhões em riqueza pessoal”, argumentou a declaração do #MakeAmazonPay, que inclusive foi assinada por 39 organizações e enviada à Amazon. “Enquanto isso, no depósito da Amazon, trabalhadores arriscaram suas vidas como trabalhadores essenciais, e apenas brevemente receberam um aumento no pagamento”, disse o grupo sobre mais razões que motivaram os protestos.

“Uma das coisas que deveria acontecer é um excesso de impostos para colocar a maior parte desse dinheiro de volta no sistema público para contribuir com os custos da saúde pública. Se permitirmos que a Amazon mantenha todos esses lucros excedentes, ela apenas fortalecerá sua posição de monopólio“, destacou Alex Cobham, presidente-executivo da Tax Justice Network, signatária da lista de demandas e rede de pesquisa do Reino Unido focada em regulamentação financeira 

Amazon x sindicatos

Como já citado, uma das demandas para a sexta-feira é que a Amazon ofereça espaço para que funcionários e sindicatos possam se reunir, mas parece que este pedido é quase impossível de ser atendido por parte da empresa. Indícios disso foram documentos vazados que mostraram que o grupo monitora de perto organizações de sindicatos e protestos que possam vir de seus funcionários. A espionagem ocorre por meio das redes sociais de grupos públicos ou privados dos colaboradores.

A imagem da empresa ficou ainda pior quando, em setembro, ela divulgou no Amazon Jobs duas vagas de emprego para analistas de “ameaças de organizações trabalhistas”. “Observar ameaças de organizações trabalhistas contra a empresa”, essa era uma das responsabilidades descritas para as vagas de Analista de Inteligência e Analista de Inteligência sênior. Cerca de uma semana após a divulgação das oportunidades, 95 pessoas já haviam se candidatado para ambas as posições.

Fonte: Vice

Esta post foi modificado pela última vez em 26 de novembro de 2020 18:53

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Publicado por
Leticia Riente