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Uma das lendas urbanas mais antigas que circula na Internet, datando do início da década de 90, afirma que a rede de fast-food KFC não usa frangos de verdade em seus pratos, mas sim carne de “organismos mutantes” geneticamente modificados e criados em laboratório, sem bicos, penas e pés e com estrutura óssea reduzida para que produzam o máximo de carne possível com o mínimo desperdício.

É uma mentira deslavada, mas que ironicamente passará a ter um fundo de verdade em breve. Uma companhia norte-americana chamada Eat Just conseguiu aprovação para vender, em Singapura, produtos contendo carne de frango artificial criada em laboratório.

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Mas ao contrário da lenda urbana, este frango criado em laboratório nunca foi um “ser vivo”. No processo da Eat Just, células musculares de frango são coletada e cultivadas em um biorreator, onde são alimentadas com uma solução de aminoácidos, carboidratos, minerais, gorduras e vitaminas. Segundo o site da empresa, “o processo ocorre em um ambiente seguro e controlado, de forma similar à fermentação em uma cervejaria”.

Nuggets com carne de frango criada em laboratório pela Eat Just
Nugget de “frango” produzido pela Eat Just. Carne cultivada em laboratório. Foto: Eat Just

Frango artificial: seguro e sustentável

A empresa afirma ter produzido 20 lotes da carne de frango em seus biorreatores, que tem capacidade para 1.200 litros cada, para demonstrar sua segurança às agências reguladoras. Os testes mostraram que o produto atende aos mesmos padrões de segurança que a carne de frango tradicional, e tem “conteúdo microbiológico extremamente baixo e significativamente mais limpo que o frango convencional”, diz a empresa.

A empresa cita um estudo que afirma que seu “frango” também é mais sustentável, emitindo de 78% a 96% menos gases causadores do efeito estuda, exigindo 99% menos terras e usando de 82% a 96% menos água que a carne produzida convencionalmente.

“Estou certo que nossa aprovação para carne ‘cultivada’ será a primeira de muitas em Singapura e em países ao redor do mundo”, diz Josh Tetrick, co-fundador e CEO da Eat Just.

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Apesar das vantagens da tecnologia, o custo ainda é um desafio. O primeiro produto a chegar ao mercado serão nuggets de frango, vendidos a um preço que a empresa afirma ser equivalente a “frango premium” em restaurantes.

Fonte: USA Today