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Recentemente, veio a público que a Huawei, em parceria com uma startup chamada Megvii, testou um sistema de reconhecimento facial capaz de identificar indivíduos da etnia uigur. Agora, em um desdobramento desse caso, Tommy Zwicky, vice-presidente de comunicações da divisão da Dinamarca, renunciou ao cargo.

De acordo com a Vice, o motivo para isso, segundo o próprio empresário, é a “forma como o caso uigur foi tratado”. Apesar da declaração, ele se recusou a dar mais detalhes sobre o ocorrido até que seu contrato termine em fevereiro do próximo ano.

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No entanto, quando um jornalista questionou Zwicky diretamente pelo Twitter, pedindo explicações sobre o uso do sistema de identificação, ele argumentou que não conseguia explicar e que, por isso, “pedi demissão”. A postagem logo foi apagada, mas não antes de ser capturada e compartilhada em outras redes sociais.

Além do vice, outro membro da Huawei decidiu deixar a empresa. Edward Brewster, diretor de comunicações da Huawei no Reino Unido, está renunciando ao cargo no próximo mês e com mudança para Nova Zelândia junto à família. O motivo da sua saída não foi divulgado.

Software de reconhecimento facial

Teste foi feito em 2018, mas veio a público este ano. Foto: Andrey_Popov/Shutterstock

A internet ficou sabendo sobre a prática na semana passada, quando o The Washington Post, em parceria com a IPVM, uma empresa de pesquisa em vigilância, divulgou um documento de 2018 em que foi confirmado que a Huawei testou um software de reconhecimento facial que podia identificar rostos da minoria uigur em uma multidão e enviar “alarmes” automatizados para as autoridades.

A revelação atraiu a condenação de defensores dos direitos humanos e democracias em todo o mundo. Inclusive, o envolvimento da Huawei no escândalo fez com que o jogador de futebol francês Antoine Griezmann, que atua pelo Barcelona, rescindisse seu contrato com a empresa chinesa.

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De acordo com a IPVM, sem abordar o caso em específico, a Megvii defendeu sua atuação dizendo que seu “negócio está focado no bem-estar e segurança dos indivíduos, não no monitoramento de nenhum grupo demográfico específico”.

A Huawei se pronunciou sobre o caso, mas alegou que tudo não passou de um simples teste, que não foi implementado em softwares que estão disponíveis no mercado atualmente.

No entanto, à BBC, a empresa confirmou que a “linguagem usada no documento” era “completamente inaceitável” – além de afirmar que suas tecnologias “não foram projetadas para identificar grupos étnicos”.

Via: Vice