Na última segunda-feira (21), o Congresso dos Estados Unidos aprovou o novo orçamento da Nasa para 2021 no valor de quase US$ 23,3 bilhões (aproximadamente R$ 11,8 bilhões em conversão direta). Embora os números pareçam expressivos à primeira vista, o montante representa uma queda de financiamento da Nasa, e pode afetar o projeto da agência de retornar à Lua em 2024.

O valor foi decidido em acordo entre Câmara e Senado com base no projeto de lei de gastos gerais de 2021. Com a decisão, o financiamento de US$ 23,271 bilhões para 2021 representa US$ 2 bilhões a menos do que o solicitado pela agência, mas é superior aos US$ 22,6 bilhões recebidos neste ano.

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Apesar do budget estar relativamente próximo do solicitado, o grande problema dá-se na sua divisão para os projetos.

Enquanto projetos como a espaçonave Orion, o Space Launch System (Sistema de Lançamento Espacial) e Exploration Ground Systems (Sistemas Terrestres de Exploração) receberão financiamentos acima do esperado, o programa Human Landing System (HLS) vai obter apenas US$ 850 milhões — 25% do pedido original, de US$ 3,3 bilhões.

Projeto Artemis, da Nasa
Programa HLS é essencial para o projeto Artemis, da Nasa. Foto: Nasa/Divulgação

Isso poderá comprometer os avanços necessários para garantir viagens humanas à Lua em 2024, dentro do projeto Artemis — que pretende incluir a primeira mulher na equipe de módulo lunar para estabelecer a exploração sustentável do satélite natural.

“No final das contas, se não conseguirmos os US$ 3,3 bilhões, fica cada vez mais difícil”, afirmou o administrador da Nasa, Jim Bridenstine, acrescentando que a agência tem cumprido todos os marcos.

Outro projeto afetado foi o programa comercial Low Earth Orbit (LEO), que pretende desenvolver a produção, distribuição e comércio de bens na órbita terrestre baixa — localizada a 2.000 km da Terra.

O programa receberá apenas US$ 17 milhões dos US$ 150 milhões solicitados.

Destinos do financiamento

Enquanto alguns programas lamentam o orçamento aquém do esperado, outros celebram o financiamento.

Cerca de US$ 1,1 bilhão serão direcionados para tecnologia espacial e programas educacionais da Nasa. Isso inclui a missão On-orbit Servicing, o projeto de propulsão térmica nuclear e os projetos On-orbit Servicing, Assembly, and Manufacturing (OSAM).

Programa OSAM, da Nasa
Projeto OSAM visa o desenvolvimento de tecnologias para aprimorar serviços de manutenção, montagem e fabricação da Nasa. Foto: Nasa/Divulgação

Além disso, os programas de defesa planetária da Nasa devem receber US$ 156,4 milhões para missões de redirecionamento de asteróides duplos e lançamento de objetos vigilantes próximos à Terra.

O budget também será capaz de financiar missões científicas como o Telescópio Espacial Romano, o Observatório Estratosférico para Astronomia Infravermelha, bem como as missões Pace e Clarreo Pathfinder Earth.

No entanto, outras ambições da Nasa devem ficar pelo caminho. Isso porque o administrador associado da agência, Jim Reuter, alertou em setembro que uma possível redução do financiamento geral para programas específicos restringirá o poder de compra da Nasa para “outras coisas”.

Via: Tech Times