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Uma das principais características das criptomoedas é a possibilidade de fazer transações completamente anônimas e que não podem ser rastreadas. Bom, pelo menos essa era a intenção quando elas foram criadas. Só que os governos já buscam formas de ter acesso a essas informações. Nos EUA, por exemplo, a Rede de Fiscalização de Crimes Financeiros (Financial Crimes Enforcement Network) já propõe a regulamentação do segmento.

O projeto foi apresentado em 18 de dezembro e trata das operações que envolvem carteiras privadas. Se for aprovado, quem fizer transações com valores superiores a US$ 3 mil terá de se identificar como proprietário da carteira. E se a operação envolver duas carteiras privadas, será necessário informar dados pessoais mais detalhados.

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Além disso, as empresas que reúnem essas carteiras privadas devem informar os dados ao governo sempre que um usuário movimentar mais de US$ 10 mil em um dia. Se essa regulação for aprovada, será irônico. Afinal, quando a bitcoin surgiu, em 2008, a ideia era que elas fossem uma alternativa aos bancos. Se for necessário compartilhar tantas informações, esse objetivo inicial se perde e vai ser difícil se manter anônimo.

As normas propostas tornam menos interessante ter uma carteira privada. Além disso, como algumas criptomoedas registram todas as transações, quando o proprietário de uma carteira privada for identificado vai ser possível saber todas as transações feitas com aquela carteira. Ou seja, o governo vai ter acesso a muito mais informação do que o novo regulamento propõe.

Agora, o projeto fica aberto por 15 dias para comentários da população. Empresas do segmento reclamam que esse período é muito curto, especialmente quando há feriados de fim de ano no meio, e pedem que o tempo para revisão seja de 60 dias.

O Departamento do Tesouro alega que as operações com criptomoedas, como são atualmente, facilitam o financiamento do terrorismo internacional, a proliferação de armas, a evasão de sanções e a lavagem de dinheiro transnacional, entre outros crimes.

Fonte: The Verge