EnglishPortugueseSpanish
publicidade

Faltam 56 dias para que a missão Mars 2020, que está levando o rover Perseverance e o helicóptero Ingenuity para Marte, finalmente chegue ao seu destino. Mas depois de viajar quase 470 milhões de quilômetros, o veículo terá que sobreviver à fase final da sua aterrisagem para chegar à superfície do Planeta Vermelho. E a Nasa produziu uma animação para mostrar como serão esses momentos.

O vídeo resume o que acontece nos sete minutos em que a espaçonave diminui sua velocidade de cerca de 19.500 km/h no topo da atmosfera marciana para cerca de 3 km/h para o pouso em uma área chamada Cratera de Jezero. Essa sequência de manobras são conhecidas como os “sete minutos de terror“, porque até receberem a confirmação do pouso, os cientistas não têm o que fazer além de torcer pelo melhor.

publicidade

O rover Perseverance buscará sinais de vida microbiana ancestral em Marte, coletará e armazenará rochas e regolitos marcianos (rochas quebradas e poeira), caracterizará a geologia e o clima do planeta e abrirá o caminho para a exploração humana no nosso vizinho. A missão foi lançada a bordo de um foguete Atlas V, a partir da base de Cabo Canaveral, na Flórida, em 30 de julho deste ano. A chegada à Marte está prevista para 18 de fevereiro de 2021.

Rover Perseverance terá chegada turbulenta?

O principal problema de planejar um pouso em Marte é que a atmosfera do planeta é muito mais fina que a da Terra. Com isso ela não oferece resistência ao rover, que cai em alta velocidade. Para desacelerar o veículo e impedir que ele vire uma panqueca no solo marciano é necessário combinar várias técnicas, executadas com precisão absoluta.

No início da entrada na atmosfera marciana o rover é protegido por um escudo térmico com 4,5 metros de diâmetro, que terá de suportar temperaturas de mais de 1.000 ºC. Quatro minutos após o início da manobra, a uma altitude de cerca de 11 km, um paraquedas supersônico com 21 metros de diâmetro se abre para reduzir ainda mais a velocidade.

O Perseverance lança um pára-quedas supersônico de seu aeroshell enquanto desacelera antes de pousar. Imagem: Nasa/JPL-Caltech

Cerca de 20 segundos depois, o escudo térmico é ejetado para que câmeras e radares na parte de baixo do rover possam ter uma boa visão do solo. O paraquedas continua aberto até uma altura de cerca de 2 km, quando se separa.

publicidade

Ainda assim o rover Perseverance, que está preso a uma plataforma, está viajando rápido demais. A penúltima etapa consiste no uso de retrofoguetes montados na plataforma para desacelerar ainda mais o veículo. A técnica é similar à usada pela SpaceX, que aciona os motores de seu foguete Falcon 9 para reduzir a velocidade antes do pouso.

Cerca de 12 segundos antes do toque, o estágio de descida abaixa o rover em um conjunto de cabos de cerca de6,4 metros de comprimento. Imagem: Nasa/JPL-Caltech

Quando a plataforma chega a uma altitude de 20 metros em relação ao solo, ocorre a última etapa: ela paira no ar, e usa cabos para descer o rover suavemente até o solo. Assim que ele pousa os cabos são cortados, e a plataforma voa para longe.

O trajeto da órbita ao solo leva sete minutos, e deve ser feito de forma completamente automatizada, sem comunicação nenhuma com a Terra. Isso porque um sinal de rádio leva sete minutos para ir da Terra a Marte, e uma resposta levaria mais sete minutos. Ou seja, quando recebermos a informação de que o rover iniciou a descida, ele já estará na superfície de Marte.

Em busca de vida

A principal missão da Perseverance é analisar seu local de pouso, a cratera Jezero, em busca de sinais de que ela abrigou vida no passado. Milhões de anos atrás ela era o Delta de um rio.

Além de realizar análises por conta própria, o Perseverance vai coletar amostras do solo marciano, que serão armazenadas em pequenos tubos e deixadas em locais específicos no planeta. Em 2026 uma nova missão, por enquanto chamada de Mars Sample Return Mission (Missão para Retorno de Amostras de Marte), pousará em Marte, coletará as amostras e as trará de volta à Terra.

O rover também testará novas tecnologias que vão facilitar futuras missões tripuladas, como um novo sistema de pouso com maior precisão, um helicóptero chamado Ingenuity para observação aérea do planeta e um instrumento chamado Moxie, que vai gerar oxigênio a partir do dióxido de carbono na atmosfera marciana. Uma versão em grande escala do Moxie, já em desenvolvimento, será uma peça crucial para a presença humana no planeta.

Via: Tech Times