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Já não é segredo que o Facebook funciona dentro de um modelo de negócios baseado na coleta e processamento de dados dos seus usuários. O objetivo da companhia é conseguir converter essas informações em lucro, além de armazenar um grande volume de dados nos próprios servidores da empresa. As críticas sobre questões relacionadas à privacidade, inclusive, já fizeram com que a plataforma adotasse algumas medidas positivas. Ainda assim, existem brechas que estão sendo utilizadas para conseguir rastrear a localização de usuários de dispositivos que rodam iOS.

Por práticas como essa, a Apple vêm batendo de frente com o Facebook por conta da privacidade dos usuários que optam por utilizar dispositivos que rodam iOS. Vale lembrar que desde o lançamento do iOS 14, o sistema conta com alguns recursos capazes de limitar o acesso de aplicativos de terceiros às informações de geolocalização do usuário. Ainda assim, o Facebook parece ter encontrando uma forma de contornar essa situação.

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Arquivos .EXIF

Quando capturamos uma foto, seja com a câmera do smartphone ou uma câmera digital tradicional, essa imagem gera automaticamente uma série de dados que ficam atrelados ao arquivo da fotografia. Esse conjunto de dados são chamados de arquivos .EXIF (em inglês, Exchangeable image file format).

Arquivos como esse salvam dados relacionados ao sensor utilizado na captura da foto e o horário em que a imagem foi capturada. No caso dos iPhones, o modelo utilizado para tirar a foto e a versão do sistema operacional que o dispositivos está rodando também ficam armazenados nos arquivos .EXIF. Por fim, e não menos importante, informações ligadas a localização do dispositivo também ficam disponíveis nesses arquivos.

Facebook não alerta sobre o rastreio de localização

Uso de dados de arquivo de metadados estaria escondido nas entrelinhas dos termos de uso do Facebook. Imagem: Trismegist san/Shutterstock

Vale a ressalva que ao optar por fazer o upload de uma foto, seja para o próprio Facebook ou para o Instagram, grande parte desses arquivos de metadados são descartados. De maneira geral, apenas a data e o horário da captura das imagens são mantidos. O problema, pelo menos no caso do Facebook, é que os dados de localização também são armazenados nos servidores locais da empresa. Ou seja, mesmo que o usuário prefira “isolar” o Facebook por completo no seu dispositivo desativando o acesso do aplicativo a todas as suas informações de localização, ainda assim, a rede vai continuar armazenando seus dados de geolocalização através desses arquivos .EXIF.

Segundo Jake Moore, executivo da ESET, uma das companhias de segurança digital mais renomadas do mercado, os usuários devem se lembrar que o modelo de negócios do Facebook se baseia na coleta massiva de dados: “O Facebook rastreia quase tudo que você faz tanto enquanto está na rede e também quando está navegando em outros lugares, tudo para ajudar o algoritmo de propaganda da plataforma.” Sobre o uso de metadados, Jake declarou: “Quando você sobe uma foto com todos os dados interessantes e úteis, o Facebook não quer simplesmente deletar essas informações convenientes”.

Os usuários podem até sentir uma falsa sensação de segurança ao desativarem o acesso do Facebook a informações de localização, porém, o fato é: a rede continuará armazenando esse tipo de dado através das imagens salvas na rede social. Na prática, não tem muito o que fazer até aqui. A “solução” seria parar de subir imagens nos aplicativos relacionados ao Facebook, ou seja, nada de enviar fotos pelo WhatsApp ou Instagram. Nada prática, não? Dentro das normas do Facebook, a empresa deixa claro que pode coletar e processar informações contidas nos arquivos .EXIF, no entanto, essa informação fica escondida nas entrelinhas dos termos de uso da rede e pode acabar sendo ignorada pela grande maioria dos usuários.

De acordo com Nicola Whiting, executivo da companhia de segurança Titania, empresas como o Facebook ofertam maneiras rápidas e fáceis de se conectar com outras pessoas na internet, porém tudo isso tem um preço: “Você pode limitar as informações de metadados antes de subir uma imagem e proteger suas informações pessoais, mas isso demanda tempo e não é muito conveniente”. Whiting finaliza dizendo que as facilidades providas pelas redes sociais geralmente se sobrepõem as diretrizes de privacidade.

O que fazer para evitar essa prática?

Facebook combaterá informações falsas sobre a Covid-19
Ainda não existe nenhuma solução prática para evitar esse procedimento do Facebook. Imagem: chainarong06/Shutterstock

Não existem soluções muito práticas para o problema. Como mencionado antes, a principal seria parar de subir imagens nessas plataformas, porém isso não é nada viável. A melhor opção, pelo menos por enquanto, é optar por algum aplicativo especializado em retirar os dados de localização de arquivos .EXIF. Um exemplo é o Exif Metadata, disponível para download gratuito na App Store.

A Apple também pode levar essa prática invasiva para os tribunais nos EUA, o que poderia obrigar o Facebook a limitar ou até cessar de vez com essa prática. Uma justificativa seria o fato da rede continuar acessando a localização pelos arquivos .EXIF mesmo quando o usuário opta por não compartilhar os seus dados de localização com o Facebook.

Outros especialistas em segurança digital também ressaltam que acabaram identificando essa mesma prática em outros apps: o TikTok seria outro exemplo. Segundo os pesquisadores, esse tipo de informação é muito valiosa para as redes sociais e pode ser utilizada para criar um padrão de comportamento baseado nos locais que o usuário visita. Algo muito interessante para ser utilizado, por exemplo, por ferramentas de marketing e plataformas de propaganda.

Por fim, a própria Apple pode acabar tomando à frente dessa situação no futuro. A Maçã quer oferecer uma maneira para que o próprio usuário tenha controle total sobre os seus arquivos .EXIF. Dessa forma, práticas invasivas como essa podem ser evitadas. A tendência é que as redes sociais continuem encontrando maneiras para rastrear os seus usuários. O que ainda não ficou claro é se o Facebook teria utilizado ou não essas informações para fins comerciais.

Fonte: Forbes