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Mais de 200 funcionários do Google anunciaram, na manhã desta segunda-feira (4), planos para buscar a sindicalização junto ao Communications Workers of America (CWA). Intitulado Alphabet Workers Union, o sindicato será aberto para todos os funcionários contratados pela Alphabet, controladora do Google.

O grupo buscará adquirir o direito legal de negociar coletivamente as condições de trabalho, além de lutar contra retaliações e contratos governamentais controversos. No entanto, os cerca de 227 funcionários precisarão de mais adeptos para alcançar uma grande maioria de pessoas a favor do sindicato.

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Em comunicado à imprensa, os trabalhadores expuseram como mais da metade dos empregados são contratados e apontaram a carência de diversos benefícios. Além disso, os trabalhadores questionam represálias por conta de greves e dilemas éticos envolvendo alguns contratos da companhia — que fomenta o uso da tecnologia para desenvolvimento de drones militares, por exemplo.

“Nosso novo sindicato fornece uma estrutura sustentável para garantir que nossos valores compartilhados como funcionários da Alphabet sejam respeitados, mesmo depois que as manchetes desaparecerem”, afirmou Nicki Anselmo, gerente de programa do Google.

Alphabet Workers Union, que atualmente conta com mais de 200 pessoas, precisará de mais adeptos para concretizar formação do sindicato. Imagem: Alphabet Workers Union/Divulgação

As polêmicas trabalhistas envolvendo o Google têm sido frequentes nos últimos anos. Diversos funcionários afirmaram ter sofrido retaliações após a greve contra assédios sexuais protagonizados por Andy Rubin, cocriador do Android, em 2018 — a companhia ainda chegou a pagar cerca de R$ 90 milhões pela saída do executivo.

Em dezembro do ano passado, a companhia foi acusada de racismo e de silenciar seus funcionários após demitir Timnit Gebru, ex-pesquisadora na área de inteligência artificial (IA) que demonstrou frustração com a política de diversidade de gênero do Google.

Também no mês passado, o National Labor Relations Board (NLRB) alegou que o Google violou partes da Lei Nacional de Relações do Trabalho ao vigiar seus funcionários. Além disso, a instituição acusa a companhia de desencorajar seus funcionários de “formar, ingressar, ajudar um sindicato ou se envolver em outras atividades protegidas e combinadas”.

O que fará o sindicato

Grupo buscará reconhecimento da Alphabet, controladora do Google. Imagem: rvolkan/iStock

Após anunciar a criação do Alphabet Workers Union, o grupo deverá buscar o reconhecimento da Alphabet. Mas a tarefa não será fácil.

Em um caso semelhante ocorrido em 2019, a empresa Kickstarter recusou o pedido de reconhecimento voluntário após a maioria de seus trabalhadores terem conseguido apoio para a sindicalização.

A companhia forçou os trabalhadores a uma eleição formal com o NLRB. O final teve um desfecho positivo, mas demorou cerca de 10 meses para a criação do Kickstarter Union.

No entanto, não há como saber como a Alphabet se comportará diante da situação. Ao TechCrunch, a diretora de operações de pessoas do Google, Kara Silverstein, disse apoiar os direitos trabalhistas protegidos, mas não mencionou nenhum posicionamento da companhia.

“Sempre trabalhamos muito para criar um ambiente de trabalho que dê suporte e recompensa para nossa força de trabalho. É claro que nossos funcionários têm protegido os direitos trabalhistas que apoiamos. Mas, como sempre fizemos, continuaremos nos envolvendo diretamente com todos os nossos trabalhadores”, afirmou Silverstein.

Uma vez oficial, o Alphabet Workers Union fará parte do CWA local 1400, que representa os trabalhadores em Massachusetts, Maine, New Hampshire, Vermont e Califórnia.

Via: TechCrunch