A Ericsson prometeu deixar a Suécia caso o governo do país não reverta a sua decisão de banir comercialmente a gigante das telecomunicações Huawei. A decisão pegou o mercado de surpresa, já que a Ericsson é uma empresa sueca e, em tese, ganharia amplo espaço no mercado com o afastamento da companhia chinesa.

Segundo informações do jornal local Dagens Nyheter, o CEO da Ericsson, Borje Ekholm, levantou a possibilidade da companhia deixar a Suécia caso a ministra de comércio exterior, Anna Hallberg, não revise a ordem de banimento da Huawei, que tem prerrogativas similares as que vimos na briga da chinesa com os Estados Unidos – acusações de espionagem para o governo chinês e falhas intencionais de segurança para roubo de informações.

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Nenhuma das acusações foi, até hoje, comprovada, e a Huawei nega todas elas, mas a situação já tem escala global e encontrou reflexos também no Brasil.

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Fachada da sede da Ericsson em Estocolmo, na Suécia: terra natal pode ser abandonada pela empresa se governo não reverter banimento da Huawei no país. Imagem: Roland Magnusson/Shutterstock

Segundo o jornal, Ekholm teria recomendado por repetidas mensagens de texto a reversão do banimento da Huawei à ministra, que até agora não se posicionou publicamente sobre o assunto.

Ericsson teme represálias da China

A atitude da Ericsson, porém, não é de todo altruísta: a empresa teme que o banimento confirmado da Huawei no mercado sueco possa gerar represálias à empresa, que mantém filial na China. Em ambos os países, a Ericsson é um fornecedor de equipamento de telefonia 5G, mas desde que a guerra comercial da Huawei com o mercado ocidental começou, há alguns anos, o setor entrou em desequilíbrio.

Do lado da Huawei, a empresa vem aos poucos reconquistando alguns fornecedores. A Intel recebeu permissão do governo dos EUA para voltar a negociar com a gigante chinesa, enquanto sua situação na Europa, embora desfavorável, ainda lhe permite a condução de vários negócios.

A Suécia, hoje, conta com três grandes fornecedores de telefonia: Ericsson, Nokia e Huawei. O ministério das relações exteriores ainda não respondeu à ameaça da Ericsson.

Fonte: Dagens Nyheter