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Após uma revisão dos dados por um comitê independente, a Coronavac – vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac – teria apresentado uma eficácia de 78% em seus estudos clínicos realizados no Brasil. Os dados definitivos serão apresentados numa coletiva de imprensa, na tarde desta quinta-feira (7).

A informação teria sido apresentada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pela manhã e obtida pelo jornal Folha de S. Paulo. Originalmente, o percentual de eficácia da Coronavac deveria ter sido divulgado em 23 de dezembro, mas uma divergência entre os dados brasileiros e os obtidos em testes em outros países fez com que Sinovac e Butantan adiassem o anúncio.

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À época, o diretor do instituto, Dimas Covas, afirmou apenas que eficácia da vacina estaria “dentro do limiar” do necessário para aprovação pelos órgãos regulamentares (que no caso da Anvisa, seria de pelo menos 50%). Dias depois, testes feitos na Turquia em sete mil voluntários indicaram uma eficácia de 91,25%.

Dados contestados

Os dados brasileiros foram revisados Comitê Internacional Independente na Áustria. No País, o estudo foi conduzido em 16 centros de pesquisa espalhados por sete estados e o Distrito Federal. Cerca de 12,5 mil profissionais de saúde concordaram em participar da pesquisa, contou com um teste duplo-cego: metade dos voluntários recebeu duas doses da vacina, enquanto os demais tiveram a aplicação de placebo. Mais de 200 deles foram infectados com a Covid-19.

A Sinovac ainda conduz testes clínicos de fase 3 na Indonésia (1.625 voluntários), Chile (3.000) e Bangladesh (4.200). Mais de 700 mil chineses já receberam a vacina, aprovada para uso emergencial desde julho. Após a apresentação dos dados, a Anvisa tem um prazo máximo de dez dias para decidir sobre o uso emergencial da vacina. Para o registro definitivo, a definição leva mais tempo, e pode chegar até a 60 dias.

O Plano Estadual de Imunização prevê início da campanha em 25 de janeiro, com a autorização da Anvisa ou de órgãos internacionais equivalentes, conforme previsto na legislação brasileira. O Butantan já fabricou cerca de 3,3 milhões de doses, e recebeu três remessas na última semana de 2020, que totalizam 10 milhões de doses. Até o fim de janeiro, o instituto espera produzir 40 milhões de doses da Coronavac.

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imagem do centro da cidade de são paulo
Plano inicial é de começar a imunizar os paulistas em 25 de janeiro. Foto: ESB Professional/Shutterstock

O contrato com a Sinovac ainda prevê a entrega de 46 milhões doses, das quais seis milhões prontas para a aplicação e outros quarenta milhões que serão formuladas e envasadas pelo Butantan a partir de matéria-prima encaminhada pela farmacêutica chinesa.

Método tradicional

Em seus testes, a vacina do Butantan tem apresentado uma eficácia menor do que os concorrentes  Pfizer/BioNTech (95%) e Moderna (94,5%), mas usa uma técnica mais tradicional no desenvolvimento de vacinas – o que torna a dose mais barata e mais fácil de ser armazenada. Segundo a Folha, cada dose paulista da CoronaVac está custando US$ 10,3 (cerca de R$ 55, pela cotação atual), enquanto a vacina americana custa pelo menos o dobro.

 O vírus é cultivado em células específicas que permitem seu crescimento e depois é inativado por um processo químico. Dessa forma, o Sars-Cov-2 mantém seu potencial de estimular uma resposta imunológica do organismo sem comprometê-lo com a doença.

Em outubro, o Butantan anunciou que nenhuma reação adversa grave foi registrada nos testes, e apenas 35% dos voluntários participantes do estudo clínico apresentaram algum tipo de reação classificado como leve, como febrícula (febre baixa e temporária) ou dor no local da aplicação.

No mês seguinte, um estudo publicado na revista científica Lancet, mostrou que a vacina tinha capacidade de produzir resposta imune em 97% dos casos no prazo de até 28 dias após a aplicação.

Via: Folha de S. Paulo