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O robô Perseverance, da Nasa, está a cerca de 80 milhões de quilômetros de distância de Marte. A previsão é que ele aterrisse no planeta vermelho em 18 de fevereiro de 2021. O “pequeno” notável (ênfase nas aspas: o veículo — ou rover — tem quase o tamanho de um carro) é a figura central de mais uma missão da agência especial americana, que tem objetivos grandiosos.

A comunidade de astrônomos e entusiastas da exploração espacial ficou bem atenta à proximidade do Perseverance de Marte. A seguir, apresentamos seis curiosidades que você deveria saber, já que essa é uma das missões mais importantes para a humanidade.

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A missão “Mars 2020”, protagonizada pelo rover Perseverance, tem tudo para ser a mais importante da Nasa na exploração do planeta vermelho. Imagem: Jurik Peter/Shutterstock

Busca por sinais de vida

A missão de maior prioridade dessa empreitada é a busca por sinais de que Marte, um dia, já teve algo próximo ao que chamamos de vida. Hoje, a superfície do planeta vermelho nada mais é do que um deserto de gelo e climas instáveis.

Apesar disso, especialistas já sinalizaram que, há milhões de anos, o ambiente marciano era bem mais ameno, o que favorecia a criação e a procriação de vida bacteriana. O processo da vida na Terra foi mais ou menos o mesmo, com seres microscópicos sendo os primeiros habitantes de fato do nosso planeta.

Equipamento e local favorecem a missão

Encontrar sinais de que algo viveu em Marte é uma tarefa bastante exigente. Para isso, o ponto de aterrissagem do Perseverance é um aspecto essencial. Há cerca de 3,5 bilhões de anos, a Cratera Jezero — hoje constituída de planícies abertas, dunas arenosas e penhascos rochosos — tinha um rio que desembocava em um delta do tamanho do Lago Tahoe, nos EUA. Os cientistas acreditam que as sedimentações depositadas nesse delta podem ter coletado e preservado moléculas orgânicas.

E isso leva a outro ponto: o Perseverance tem várias tecnologias que prometem ajudá-lo na missão. Duas delas se destacam: o Sherloc (ou seja, scanner de ambientes habitáveis com Raman e luminescência para organismos e químicos — Raman é um tipo de espectroscopia), que pode detectar matérias orgânica e mineral, e o PIXL (o instrumento planetário para litoquímica de raio-X), que faz a análise e o mapeamento da composição química de um corpo rochoso.

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Além disso, câmeras de curta e longa distância identificam e mapeiam elementos com um zoom mais longo que um campo de futebol. Para completar, o Perseverance tem uma tecnologia similar a um radar, que permite que ele encontre elementos enterrados.

A sonda Perseverance, que está próxima de aterrissar em Marte, passará os próximos anos explorando a superfície do planeta. Imagem: NASA/JPL-Caltech/Divulgação

Além da busca pela vida

Outro aspecto importante dos objetivos do Perseverance é o mapeamento contextual da geologia e do clima de Marte, para especular como era o ambiente no passado. Isso porque, por mais que a Cratera Jezero venha sendo analisada a distância há anos, somente uma inspeção mais minuciosa e próxima pode dar essa ideia. Compreender a história incorporada nas partes rochosas do planeta dará aos cientistas um volume maior de informações sobre como Marte era no passado.

Boa parte do material será analisada aqui

A sonda Perseverance é a primeira a viajar até Marte com equipamentos para armazenamento de amostras que poderão ser enviadas à Terra. Isso porque, embora a Nasa tenha uma excelente capacidade de avaliar detritos e corpos que venham do espaço, muito da estrutura da agência é grande demais para viajar para lá.

Por isso, o rover vai cortar pedaços de núcleos rochosos, guardá-os em recipientes um pouco maiores que tubos de ensaio e mandar o material para a Terra. Isso é o contrário do que fazia seu antecessor, o rover Curiosity, que apenas perfurava rochas e avaliava os materiais para determinar sua composição.

Perseverance: ilustração
Ilustração do Perseverance mostra conjunto de sensores e câmera de longa distância para identificação e mapeamento da superfície de Marte. Imagem: NASA/JPL-Caltech

Perseverance olha para o futuro

A missão “Mars 2020” não busca apenas estabelecer uma conexão com o passado do planeta vermelho e a compreensão humana sobre ele, mas também abrir caminho para que, no futuro, terráqueos possam conferir essas informações de perto. Literalmente.

Uma das tecnologias mais interessantes do robô é o que a Nasa chama de Moxie (o experimento de utilização de oxigênio situacional de marte). Ele é, basicamente, uma unidade que produz oxigênio a partir da atmosfera de dióxido de carbono de Marte. Assim, cria a fundação para que foguetes de propulsão a jato e a respiração humana se tornem viáveis não apenas em Marte, mas também em corpos celestes mais próximos, como a Lua.

Além disso, junto do Perseverance, está na viagem o Ingenuity, um helicóptero com uma missão separada de seu irmão terrestre: será dele a primeira tentativa de voo controlado a distância em Marte. Se sua demonstração de 30 dias marcianos (31 dias terrestres) for bem-sucedida, os dados coletados podem ajudar em missões conduzidas por astronautas humanos.

Você não sabe, mas estará nessa viagem

A missão “Mars 2020” usa mais câmeras que qualquer outra viagem interplanetária na história: são 19 acopladas ao rover Perseverance e outras quatro na nave. Isso permite registrar momentos de entrada, descida e aterrissagem. A ideia é oferecer imagens com e sem processamento no site oficial da missão.

Se tudo correr bem, qualquer um poderá ver e ouvir tudo o que é pertinente a uma aterrissagem em outro planeta, além de detalhes como os ventos, as rochas e os instrumentos da sonda enquanto ela trabalha. E isso não é tudo: há um tempo, a Nasa abriu um programa que vai selecionar três nomes para serem assinados na lateral do Perseverance, em código Morse, como parte do programa “Explore As One”. Mais de 10,9 milhões de pessoas se inscreveram.

Você é um entusiasta da astronomia? Como está sua empolgação para a missão “Mars 2020”? Não deixe de contar nos comentários!

Fonte: Phys.org