EnglishPortugueseSpanish
publicidade

Nesta quinta-feira (7) Elon Musk, fundador da SpaceX, Neuralink, Boring Company e CEO da Tesla, foi nomeado pela Bloomberg como o homem mais rico do mundo, ultrapassando Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon. Embora haja controvérsia sobre sua posição no ranking, não há como negar que sua ascensão foi meteórica: em 2020 sua fortuna aumentou em US$ 139,7 bilhões, chegando a um total de US$ 185 bilhões (quase R$ 1 trilhão).

Musk parece não se importar com o assunto. “Realmente não dou a mínima”, disse Musk à Forbes em julho deste ano. “Estes números sobem e descem, mas o que realmente importa é fazer grandes produtos que as pessoas amam”. Em resposta à notícia da Bloomberg, o blionário destacou um tweet de 2018, em resposta a um seguidor que questionou para que tanto dinheiro:

publicidade

“Não é para o que você pensa. Tenho muito pouco tempo para recreação. Não tenho casas de praia, iates ou qualquer coisa do tipo”, disse. A afirmação foi seguida de uma promessa:

“Cerca de metade do meu dinheiro será usado para ajudar em problemas na Terra e metade para estabelecer uma cidade auto-sustentável em Marte para garantir a continuaçãda vida (de todas as espécies) caso a Terra seja atingida por um meteoro como ocorreu com os dinossauros, ou caso a 3ª Guerra Mundial aconteça e sejamos destruídos por nós mesmos”.

Astronauta em Marte
Musk espera construir uma colonia sustentável em Marte até 2050. Imagem: dottedhippo/istock

Mas as boas intenções de Musk, ao menos no papel, contrastam com suas declarações e ações em outras ocasiões, que variam do irresponsável ao criminalmente perigoso.

publicidade

Elon Musk, o mergulhador e a caverna

Em 2018 ele se envolveu em uma polêmica com o mergulhador britânico Vernon Unsworth, durante as operações de resgate de um grupo de garotos que ficou preso em uma caverna na Tailândia.

O bilionário pediu que sua equipe construísse um “mini submarino” para ajudar a transportar os meninos por seções alagadas da caverna. Unsworth, que participava das operações de resgate, disparou uma série de críticas, afirmando que via o envolvimento do executivo como um “golpe de relações públicas” com “absolutamente nenhuma chance de funcionar”, e que Musk poderia “enfiar o submarino onde dói”.

Submarino proposto por Elon Musk para ajudar no resgate de garotos na Tailândia.
O polêmico submarino desenvolvido pela equipe da Tesla. Foto: Elon Musk/Twitter

 O executivo não gostou da resposta e chamou Unsworth, sem provas, de “pedófilo”. Depois, pediu desculpas e alegou que “pedófilo” era um insulto comum na África do Sul, onde cresceu. O caso foi aos tribunais, com o mergulhador processando o bilionário por difamação. Musk venceu o processo.

Outro de seus projetos, a constelação de satélites Starlink, da SpaceX, vem recebendo duras críticas dos astrônomos, que afirmam que a imensa quantidade de satélites em órbita vai tornar mais difícil, ou em alguns casos impossível, a observação dos astros  partir da Terra, já que a forma com que eles refletem a luz do Sol os torna extremamente visíveis. Vale mencionar que a SpaceX vem testando métodos para reduzir a visibilidade de seu equipamento, com algum sucesso.

Minimizando a Covid-19

Em março, durante o início da pandemia de Covid-19 no ocidente, Musk declarou no Twitter que o pânico com a doença era “estúpido”. A postura negacionista gerou crítica por parte de Bill Gates, outro que já foi o homem mais rico do mundo, e que ao longo de 2020 investiu em várias iniciativas para desenvolver vacinas que pudessem conter a pandemia.

“O posicionamento do Elon é manter um alto nível de comentários ultrajantes. Ele não está envolvido em vacinas. Ele faz um carro elétrico ótimo. E seus foguetes funcionam bem. Então ele tem permissão de falar dessas coisas, mas eu espero que ele não se confunda as áreas com as quais ele não está muito envolvido”, afirmou Gates.

Durante o mês de abril outra controvérsia: o executivo prometeu a doação de 1.000 ventiladores mecânicos a hospitais da Califórnia, mas segundo o governador do estado a maioria dos equipamentos não foi entregue. Os poucos que chegaram aos hospitais eram do tipo errado, ineficaz no tratamento de pacientes internados com Covid-19.

Engenheiros da Tesla também iniciaram o desenvolvimento de um ventilador mecânico próprio, usando peças usadas na produção dos Tesla Model 3. Um protótipo foi apresentado, mas não chegou a ser aprovado para produção pelas autoridades nos EUA.

Fábrica da Tesla em Fremont, na Califórnia

Em maio, Musk desafiou o governo de Fremont, na Califórnia, ao ordenar a reabertura da fábrica da Tesla na cidade em violação de uma determinação das autoridades de saúde. “Se alguém tiver que ser preso”, que seja eu, disse. Após a reabertura, centenas de funcionários foram diagnosticados com Covid-19

O bilionário também afirmou publicamente que não vai tomar a vacina contra Covid-19, alegando que nem ele, nem seus filhos correm risco de contrair a doença. Quando questionado sobre a possibilidade de uma segunda onda, mais letal, ele afirmou: “todo mundo morre”.

O cigarrinho de US$ 5 milhões

Em setembro de 2018 Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX, acendeu um cigarro de maconha durante uma participação no podcast do comediante e comentarista esportivo Joe Rogan.

Em teoria isso não seria um problema: Musk é maior de idade e a maconha é legalizada na Califórnia, onde o programa foi gravado. O problema é que como a SpaceX tem contratos com a Nasa, Musk é tecnicamente um prestador de serviços para o governo federal dos Estados Unidos, que tem uma rígida política anti-drogas.

Elon Musk e seu cigarro de maconha. Prejuízo de US$ 5 milhões aos contribuintes nos EUA
Elon Musk e seu cigarro de maconha. Imagem: Reprodução

Como resultado da tragada a Nasa conduziu uma “análise do ambiente de trabalho” da SpaceX, para se certificar de que a empresa e seus funcionários “estão seguindo rígidas regras que proíbem prestadores de serviço do governo federal de usar drogas”.

Mas segundo o site Politico, quem arcou com a conta foi o contribuinte norte-americano, já que a Nasa pagou à SpaceX US$ 5 milhões (R$ 27 milhões) para cobrir os custos da análise.

Elon Musk e o golpe na Bolívia

Em julho Musk se meteu em um incidente internacional: questionado sobre sua suposta participação no que teria sido um golpe de estado orquestrado pelo governo dos Estados Unidos para remover Evo Morales da presidência da Bolívia, ele respondeu via Twitter: “vamos dar um golpe em quem quisermos! Lide com isso”. 

A alegação é de que a Tesla teria interesse em uma mudança no eixo de poder do país sul-americano como uma maneira de obter lítio mais barato para seus veículos elétricos – praticamente uma versão do século XXI da disputa por petróleo. Há quem veja nos comentários de Musk uma brincadeira (sem noção) e há quem enxergue uma confissão sincera. 

Locais como o Salar de Yuni, na Bolívia, são uma grande reserva natural de lítio, essencial para a produção de baterias. Imagem: Mathias Berlin / Shutterstock

O ex-presidente Evo Morales está, definitivamente, no segundo grupo. “Elon Musk, dono da maior fábrica de carros elétricos, diz sobre o golpe na Bolívia: ‘vamos dar um golpe em quem quisermos’. Outra prova de que o golpe foi devido ao lítio boliviano; e dois massacres como balança. Sempre defenderemos nossos recursos!”, escreveu em sua conta no Twitter.

Fonte: TechTimes