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A Amazon vai começar a remover produtos ligados ao movimento conspiratório QAnon, segundo o jornal Washington Post. A medida foi confirmada por uma porta-voz da empresa ao diário, e vem um dia depois do grupo liderado por Jeff Bezos banir a plataforma social conservadora Parler de usar suas tecnologias de nuvem.

De acordo com Cecilia Fan, os produtos ligados ao QAnon não se limitam apenas a membros do movimento, mas também por pessoas não afiliadas que simpatizem com suas conspirações desacreditadas. Nestes casos, a Amazon também vai agir, removendo benefícios de vendedores que tentem contornar a regra ou oferecer produtos banidos no lugar de pessoas suspeitas.

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O “xamã do QAnon”, Jacob Angeli, é uma figura proeminente do movimento conspiracionista. Imagem: Getty Images/BBC

A mudança de política da Amazon não é de todo surpreendente, embora tenha um peso considerável. Imagens da invasão ao Capitólio, em Washington, na última semana, revelaram a presença de vários membros do QAnon no ataque – pessoas vestindo camisetas, bonés, broches e outros acessórios que mostravam simpatia ao movimento.

As mesmas roupas e acessórios eram facilmente encontrados nas lojas de vendedores terceirizados dentro do marketplace da Amazon até segunda-feira (11). De acordo com Cecilia Fan, o processo de banimento de produtos relacionados ao QAnon “deve levar alguns dias”.

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Recentemente banido pela Amazon de seus servidores de hospedagem, o Parler, rede social da extrema-direita, busca nova “casa”. Imagem: Ascannio/Shutterstock

Segundo Jonathan Greenblat, que lidera a ONG Anti-defamation League, a Amazon oferecer produtos ligados ao QAnon “é algo alarmante, porém nem um pouco surpreendente”. Ainda de acordo com ele, um padrão de comportamento a Amazon apenas atacar a oferta de itens preconceituosos em suas lojas após reclamação do público.

“Eles não fazem essas coisas de uma forma próativa, mas quando certas situações são levadas à sua atenção, eles respondem”, disse Greenblat. “É uma estratégia insuficiente para atacar a disseminação viralizada de ideologias de ódio”.

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Amazon processada por conservadores

O banimento de produtos ligados ao QAnon é uma parte intermediária em uma situação que começou pouco tempo depois do ataque ao Capitólio, semana passada. A rede social Parler, comumente usada por apoiadores de Trump ligados ou não ao QAnon e outros movimentos similares, teve seu acesso aos servidores da Amazon, usados pela rede como meio de hospedagem, completamente rescindido.

O Parler moveu sua estrutura para a empresa Epik, conhecida entre conservadores por também hospedar o Gab, conhecido pelos correligionários e figuras leais a Donald Trump como “o Twitter da direita”.

Enquanto o Parler busca um relançamento na nova estrutura, a empresa moveu um processo contra a Amazon, alegando quebra de contrato e violação de leis antitruste, citando a plataforma Amazon Web Services (AWS).

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Parler processa a Amazon, citando seu serviço Amazon Web Services. Imagem: Piotr Swat/Shutterstock

“Sem a AWS, o Parler estará acabado já que não terá uma forma de se manter online”, diz o documento do processo. O pedido do Parler é que a justiça americana conceda um impedimento temporário contra a Amazon, a fim de evitar que a empresa corte seu acesso aos servidores.

Segundo um documento obtido pela CNN, a Amazon, porém, já vinha alertando o Parler de seu conteúdo preconceituoso: “na carta enviada à CPO do Parler, Amy Peikoff, a Amazon Web Services disse que, somente em semanas recentes, recebeu 98 denúncias de postagens que ‘claramente incitavam e encorajavam a violência’”, diz trecho de matéria publicada pela emissora, que informa que, na carta, haviam ainda capturas de tela de postagens problemáticas.

“Nós detectamos um aumento consistente de conteúdos violentos em seu website, todos em violação dos nossos termos”, disse a AWS na respectiva carta. “Está claro que o Parler não possui um processo eficaz de se comprometer com os termos de uso da AWS”.

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Membros do QAnon estão espalhados por todo o território norte-americano. Imagem: Crush Rush/Shutterstock

Sobre o processo, a Amazon disse à publicação que ele “não possui mérito”: “Está claro que grande parte do conteúdo do Parler encoraja a violência contra outros, e que o Parler é incapaz ou não tem interesse de prontamente identificar e remover esse conteúdo, o que é uma violação de nossos termos de uso. Nós comunicamos nossas preocupações ao Parler ao longo de várias semanas e, durante esse período, vimos um aumento significativo neste tipo perigoso de conteúdo, e não uma queda, o que levou à nossa suspensão de seus serviços na manhã de domingo (10)”.

Fonte: Washington Post / CNN