O Parler está processando a Amazon pelo banimento de sua estrutura dos serviços de hospedagem da empresa – o Amazon Web Services (AWS). A rede social utilizada pela extrema-direita para veicular discursos de ódio acusa a empresa de Jeff Bezos de quebra de contrato e violação de leis antitruste.

Segundo documentação do processo, o Parler viu a decisão da Amazon como arbitrária, alegando que a medida foi tomada sem obediência às normas contratuais, como uma notificação antecipada de 30 dias de término do serviço.

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A Amazon, por seu lado, defendeu-se alegando que a decisão foi tomada após identificar diversas postagens, ao curso de ”semanas”, que traziam conteúdo de preconceito e incitação à violência.

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Parler usava o serviço de hospedagem da Amazon – o AWS – para se manter no ar. Imagem: Ascannio/Shutterstock

O Parler é uma ferramenta muito popular entre apoiadores do presidente americano Donald Trump, que está em vias de terminar o mandato após ser derrotado nas eleições presidenciais de 2020 pelo candidato da oposição, Joe Biden.

Embora ele próprio não seja usuário da rede social, seus seguidores sinalizavam apoio ao não aceitar o resultado eleitoral. A situação culminou na invasão e ataque ao Capitólio, em Washington, na última quarta-feira (6).

“A decisão da AWS de efetivamente terminar a conta do Parler é aparentemente motivada por animosidade política”, diz o documento processual. “[Ela] É também, aparentemente, desenhada para reduzir a competição de serviços de microblogs para beneficiar o Twitter”.

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Parler argumentou, em seu processo contra a Amazon, que banimento sofrido foi para beneficiar o Twitter. Imagem: Ascannio/Shutterstock

Resposta da Amazon

A AWS respondeu à acusação, dizendo que “oferece serviços de tecnologia para clientes de todo o espectro político, e nós respeitamos o direito do Parler de determinar por conta própria o conteúdo que [a rede social] abraça”, segundo afirmou um porta-voz da empresa.

“Entretanto, está claro que há uma parcela significativa de conteúdo no Parler que encoraja e incita a violência para com outros, e que o Parler é incapaz ou não deseja identificar e remover tal conteúdo, o que é uma violação de nossos termos de uso”.

A Amazon ainda continuou, ressaltando que já havia alertado o Parler ao longo de várias semanas: “Nós comunicamos nossas preocupações ao Parler ao longo de semanas e, durante esse período, vimos que o volume desse tipo perigoso de conteúdo aumentou, ao invés de diminuir, o que nos levou à suspensão de seus serviços na manhã de domingo [10]”.

Exemplos comunicados pela Amazon, segundo a própria empresa, incluem capturas de imagem com posts pedindo pelo assassinato de membros do Partido Democrata, religiosos muçulmanos, líderes do movimento antirracista ‘Black Lives Matter’, bem como jornalistas da imprensa americana.

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Além da Amazon, Apple e Google também baniram a rede social de suas plataformas, inviabilizando o acesso direto à ela. Imagem: Koshiro K/Shutterstock

Apple e Google contra o Parler

Vale ressaltar que a Amazon é apenas a empresa mais recente a tomar medidas contra o Parler. Apple e Google também baniram o app dedicado da rede social conservadora após acusações de que ela teria sido um vetor de comunicação para os invasores do Capitólio, na última semana.

Imagens capturadas mostravam usuários celebrando o ataque e pedindo pelo sequestro e execução de membros do Congresso. Durante a ação, parte da classe política dos EUA estava no Capitólio, em cerimônia de reconhecimento da vitória de Joe Biden, que assume a presidência do país no fim do mês.

Os congressistas, na ocasião, ficaram enclausurados em salas fechadas enquanto as autoridades retiravam os invasores. Uma invasora – posteriormente identificada como uma veterana da Força Aérea dos Estados Unidos – foi morta por policiais que protegiam o local.

O Parler, por sua vez, afirmou que deve voltar ao ar logo, acusando as empresas de promoverem um “ataque coordenado” contra a rede social. Segundo informações da mídia internacional, a plataforma se aproximou da Epik, que é conhecida por fornecer hospedagem online para outras redes preferidas da extrema-direita, como o Gab.

Fonte: BBC