O Parler pode estar fora do ar e ter sido praticamente varrido da internet depois de ter seus apps e hospedagem suspensos pelo Google, Apple e Amazon.

Mas os efeitos da rede social, que teve papel crucial na organização do violento ataque ao Capitólio, nos Estados Unidos, ainda serão sentidos por muito tempo.

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Tudo graças a um erro básico de programação e a um conjunto de hackers determinados a preservar informações que podem incriminar centenas, talvez milhares, de norte-americanos por sua participação na insurreição.

Tudo começou quando uma hacker decidiu arquivar todos os posts no Parler feitos em 6 de janeiro de 2021, dia da invasão.

Isso depois que ficou claro que muitos defensores do presidente Donald Trump usaram a rede para publicar vídeos e fotos de sua participação no evento, basicamente incriminando a si mesmos.

Mas logo ficou evidente que os desenvolvedores do Parler cometeram um erro básico de programação: cada post e conteúdo postado no site, como fotos e vídeos, recebia um número identificador único. Mas este identificador era sequencial.

Redes sociais de grande porte, como o Twitter, Facebook e Instagram, geram um identificador aleatório para cada post justamente para evitar este tipo de acesso ao conteúdo.

Ou seja, armada com um iPad e um simples script que incrementa sequencialmente uma URL, a hacker foi capaz de arquivar 99,9% de todo o conteúdo publicamente disponível no Parler.

Foram baixados mais de 412 milhões de arquivos, entre eles 150 milhões de fotos e 1 milhão de vídeos, antes que a Amazon tirasse os servidores da rede do ar.