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A chinesa Huawei não deve mais ser barrada no leilão do 5G no Brasil, previsto para ocorrer no segundo semestre de 2021. A mudança de ideia por parte do governo federal se deve ao custo com a troca de equipamentos e à derrota de Donald Trump na corrida presidencial dos Estados Unidos. As informações são do Estadão.

Em dezembro do ano passado, especulou-se que a ala ideológica do governo brasileiro, encabeçada pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), estaria elaborando um decreto para proibir a participação da Huawei no leilão. À época, o GSI negou a condução na elaboração do processo.

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Agora, fontes ligadas ao presidente Jair Bolsonaro indicam que não há mais espaço para o discurso ideológico contra a empresa, especialmente após a “derrota” na disputa política com o governador de São Paulo, João Doria, contra a aprovação da CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

Após o presidente afirmar reiteradas vezes em redes sociais que o imunizante (chamado por ele de “vacina chinesa”) não seria comprado, o Ministério da Saúde decidiu incluí-lo no Programa Nacional de Vacinação.

Donald Trump e Bolsonaro
Alinhamento de Bolsonaro com Donald Trump é um dos empecilhos na participação da Huawei no leilão do 5G no Brasil. Imagem: Alan Santos/PR

Prosseguimento do leilão

A expectativa é de que o edital do leilão seja aprovado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) até o fim de fevereiro, independentemente da participação da Huawei. A realização está prevista para acontecer no fim do primeiro semestre, ou no início do segundo.

“A nossa expectativa é que no primeiro semestre de 2021 tenhamos a aprovação final do edital. Esse prazo estará na portaria que aprova a agenda regulatória. A intenção é ter a deliberação do conselho até final do primeiro semestre de 2021”, enfatizou o vice-presidente da Anatel, Emmanoel Campelo, durante uma live realizada em novembro de 2020.

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Alinhamento com os EUA

O principal empecilho para a participação da Huawei no leilão do 5G é o alinhamento ideológico de Jair Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Sob a alegação de que a empresa atua como um braço de espionagem do Partido Comunista Chinês, o governo norte-americano chegou a fazer lobby contra a entrada da empresa chinesa no mercado brasileiro do 5G.

Com a derrota de Trump para Joe Biden, é esperado que a relação entre EUA e China mude – e sem um avalista deste tamanho, fica mais difícil para Bolsonaro “enfrentar” os orientais sozinho.

Em um último ataque da gestão Trump contra a Huawei, fornecedores foram notificados nesta semana de que suas licenças de fornecimento, fechadas com a companhia chinesa para venda de componentes, serão revogadas.

Fonte: Estadão