O Tinder e o Bumble estão banindo perfis de pessoas que participaram do ataque ao Capitólio, em Washington, EUA, no início de janeiro. De acordo com o Washington Post, as diversas imagens dos invasores, divulgadas na mídia, estão servindo para que as empresas por trás dos apps de relacionamento consigam derrubar perfis ligados à invasão, que resultou na morte de cinco pessoas.

No caso do Tinder, a situação é ainda mais aprofundada, considerando que o app é uma das muitas propriedades do Match Group, que também é dono de outros aplicativos do gênero, como Match.com, OKCupid, Hinge, Plenty of Fish e vários outros. Todos os apps estão excluindo perfis de usuários identificados no ataque ao Capitólio.

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Tinder está usando imagens da mídia para identificar e banir perfis de invasores do Capitólio, nos EUA. Imagem: de-nue-pic/iStock

“Tenha a certeza de que nós proibimos qualquer conteúdo que promova o terrorismo e o ódio racial e que nós já removemos qualquer usuário que tenham, confirmadamente, participado no ataque ao Capitólio americano”, disse o Bumble em sua conta no Twitter.

Já um porta-voz do Match Group, representando o Tinder, afirmou que “nós já banimos, e continuaremos banindo, qualquer usuário procurado pelo FBI por relação com terrorismo doméstico em todas as nossas marcas, e nós sempre vamos cooperar com as autoridades em suas investigações”.

Política x Apps

O fato do Tinder e Bumble estarem banindo usuários por razões políticas não é algo exatamente novo. Em 2017, o OKCupid baniu um usuário autoproclamado neonazista e supremacista branco que participou da passeata “Unite the Right”, em Charlottesville, no estado da Virgínia. Na ocasião, uma mulher acabou morrendo.

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Bumble é outro app de relacionamento que passou a rechaçar perfis ligados à invasão do Capitólio. Imagem: Bumble/Divulgação

Aliás, o público dos aplicativos de encontro também começou a se movimentar em favor à medida. O Bumble, por exemplo, tem em suas configurações a capacidade de ajustar preferências de perfis por afiliação política.

Segundo tuítes de alguns usuários, algumas pessoas estão voluntariamente alterando seus perfis para “buscar conservadores” e possivelmente identificar outros perfis que estiveram no ataque. O Bumble informou que desativou o recurso por enquanto, a fim de evitar “mau uso”.

Donald Trump
Donald Trump, presidente em fim de mandato nos EUA, foi banido de diversas plataformas sociais por discursos de incentivo à violência. Imagem: Joseph Sohm/Shutterstock

A vida sem matches em apps de relacionamento como o Tinder e o Bumble é mais uma medida adotada pelas empresas de tecnologia social contra os invasores do Capitólio, que conduziram o ato terrorista como forma de tentar reverter as eleições presidenciais em favor de Donald Trump. Ele, que fica no cargo até esta quarta-feira (20), foi derrotado em 3 de novembro pelo democrata Joe Biden.

Desde então, vem afirmando – sem nenhuma prova ou evidência – que houve fraude no pleito. Insuflados pelas mensagens de Trump nas redes sociais, os invasores atacaram o edifício federal que, na ocasião, tinha congressistas conduzindo a cerimônia de reconhecimento da vitória de Biden.

Por causa disso, Trump acabou banido permanentemente da maior parte das redes sociais conhecidas, incluindo Pinterest, Facebook, Snapchat, Twitch, além de cortes notáveis no YouTube e Twitter. Mais além, a rede social Parler, amplamente usada pelo público conservador, acabou inacessível após a Apple e o Google removerem-na da AppStore/Play Store, bem como a Amazon Web Services cancelar seu contrato de hospedagem web.

Fonte: Washington Post