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Com o início de uma campanha nacional de vacinação contra a Covid-19, usando a vacina Coronavac desenvolvida pela companhia chinesa Sinovac e pelo Instituto Butantan, é fácil se render à euforia e acreditar que “o pior já passou”.

Mas há motivos para preocupação: os estoques do imunizante atualmente disponíveis não cobrem nem os grupos prioritários, e uma dificuldade na obtenção de insumos pode adiar a produção de novas doses. Ou seja, há um risco real de faltar vacina, mesmo para quem mais precisa dela.

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O governo federal já distribuiu 6 milhões de doses da vacina aos estados, e há outros 4,8 milhões prontas para distribuição e aguardando autorização da Anvisa para uso emergencial (a concedida no último domingo, 17, vale apenas para o lote inicial). Isso dá um total de 10,8 milhões de doses.

Considerando que cada pessoa precisa de duas doses, é o bastante para vacinar 5,4 milhões de pessoas. Mas um levantamento do UOL aponta que há 14,8 milhões de brasileiros no grupo prioritário, ou seja, seriam necessárias 29,6 milhões de doses. Resumindo: o estoque atual não cobre 35% do grupo.

O Instituto Butantan afirma que tem um acordo com a Sinovac para fornecimento de material (IFA, Ingrediente Farmacêutico Ativo) para 46 milhões de doses, e transferência de tecnologia para produção nacional da substância.

Caixa, ampola e seringa da vacina CoronaVac
CoronaVac/Cadu.rolim/Shutterstock

Mas um carregamento de 11 mil litros do IFA, que deveriam ser entregues ao Brasil neste mês, está parado aguardando liberação em um aeroporto em Pequim. O último carregamento chegou ao Brasil na virada do ano, e até a tarde desta terça-feira (19) o Instituto Butantan não tinha previsão de entrega do próximo lote.

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A transferência de tecnologia é a resposta para encerrar a dependência em insumos importados, mas não acontece da noite pro dia. “Se estivesse tudo certo para passarem [a tecnologia], levaria quase quatro, cinco meses, porque existe uma série de procedimentos a serem cumpridos”, diz Paulo Lotufo, epidemiologista e professor da Universidade de São Paulo (USP).

O médico Juarez Cunha, presidente da SBim (Sociedade Brasileira de Imunizações), concorda. “Não vejo a possibilidade, neste semestre, de termos capacidade de autonomia total de produção, porque tem uma série de passos que devem ser feitos direitinho para isso acontecer”, afirma.

E complementa: “…temos vacina que demoramos cinco, dez anos, para adquirir expertise e qualidade para produzir em capacidade igual ou superior à dos locais de origem”.

Vale lembrar que mesmo com a existência da vacina, a prevenção ainda é a melhor forma de combate à Covid-19. O uso de máscaras, a higiene das mãos e o distanciamento social são nossa principal arma para que cenas como as de Manaus nas últimas semanas não se repitam no restante do país.

Fonte: UOL

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