A variante brasileira do vírus da Covid-19, chamada de P.1 e detectada pela primeira vez no Amazonas, foi confirmada em um paciente nos Estados Unidos. O Departamento de Saúde do estado de Minnesota anunciou que esse é o primeiro caso documentado da mutação do novo coronavírus no país.

Assim como as versões encontradas no Reino Unido (B117) e na África do Sul (B1351), a variante brasileira do vírus da Covid-19 é mais infecciosa do que a tradicional, fazendo com que o vírus se espalhe mais rapidamente. Pesquisadores temem que novas mutações possam prejudicar a eficácia das vacinas.

publicidade

Um residente da área metropolitana de Minneapolis ficou doente no início de janeiro, e uma amostra foi coletada em 9 de janeiro, de acordo com o comunicado das autoridades médicas de Minnesota. Após teste positivo para Covid-19, o paciente relatou ter viajado para o Brasil antes do início dos sintomas.

“Esses casos ilustram porque é tão importante limitar as viagens durante uma pandemia tanto quanto possível”, afirma a epidemiologista estadual, Ruth Lynfield. “Se você tiver que viajar, é importante observar os sintomas, seguir as orientações de saúde pública sobre como fazer o teste antes da viagem, usar medidas de proteção cuidadosas durante a viagem e colocar em quarentena e fazer o teste após a viagem”.

A detecção da variante do vírus da Covid-19 “é uma má notícia, mas ao mesmo tempo não é inesperada”, afirmou Michael T. Osterholm, diretor do Centro de Pesquisa e Política de Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota e conselheiro da força-tarefa do presidente Joe Biden para o coronavírus.

Variante do vírus da Covid-19 causou o desastre em Manaus?

Uma pesquisa publicada na revista Science estimou que 76% da população de Manaus já havia sido infectada pelo coronavírus – o que colocaria a cidade perto da imunidade de rebanho. O novo surto gerou temores de que a variante P.1 do vírus da Covid-19 tenha mutações que permitem que ela evite o sistema imunológico humano, embora faltem estudos que comprovem essa afirmação.

Carretas com 160 mil metros cúbicos de oxigênio foram enviadas para Manaus, para abastecer os hospitais. Imagem: Caio de Biasi/MS

Para o epidemiologista da Escola de Saúde Pública de Harvard, William Hanage, a variante do vírus da Covid-19 do Brasil “é provavelmente a que causa mais preocupação. Não sabemos por que ela faz tanto estrago em Manaus”. Pesquisadores acreditam que a variante do Reino Unido, que já se espalhou nos Estados Unidos, poderia se tornar dominante no país em meados de março. A mutação vinda da África do Sul não foi identificada nos EUA.

Em Manaus, profissionais da saúde observam, inclusive, que o vírus está causando infecções mais graves, silenciosas e em menos tempo do que o que foi visto até então. Além disso, o número de infectados jovens aumentou. Com base em dados de óbitos do estado, quatro em cada dez vítimas são pessoas com menos de 60 anos.

Com o que se acredita ser uma mudança no comportamento da doença em Manaus, o estado registra 40,1% de óbitos de pessoas mais jovens. Antes, esse total era de 36,5%.

Em relação ao aparecimento dos sintomas, também houve um encurtamento no tempo de agravamento dos casos. Inicialmente, os profissionais de saúde observaram que os primeiros sintomas graves apareciam por volta do décimo dia de infecção. Agora, há registros de que isso ocorre por volta do oitavo dia.

As mudanças no tempo de manifestação da doença têm preocupado diversas pessoas que lidam diretamente com pessoas infectadas pelo vírus. Há informações de que a saturação dos pacientes cai de maneira muito mais rápida e silenciosa.

Via: NPR/Washington Post