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Na última segunda-feira (25), aniversário da cidade de São Paulo, a capital ganhou um presente: um enorme mural na Avenida 9 de julho, com cerca de 800 m², pintado por Henrique “EDMX” Montanari, que combina a arte urbana do grafite com a realidade aumentada. Com “Max e Rosa”, o artista espera trazer uma mensagem positiva em meio ao medo causado pela pandemia da Covid-19.

“No desenho são meus filhos”, conta EDMX (lê-se “Edemas”), “a pandemia e o isolamento afetaram bastante eles – e me afetaram também. Mas quero mostrar para eles que o mundo está lá fora e a vida tem que ser vivida. Por isso coloquei eles dentro do prédio, puxando uma cortina e olhando para fora”, explica o artista.

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O grafite já está na fachada de um edifício residencial de oito andares, e EDMX conta que a experiência de realidade aumentada está disponível no Instagram. “As pessoas poderão apontar para o grafite com o celular e ver a animação, que vai dar mais uma pista sobre esse mistério que está lá fora”, conta Montanari.

“Max e Rosa” finalizado na Avenida 9 de Julho; grafite conta com realidade aumentada. Imagem: Ivan Shupikov/Divulgação

Artista digital e animador 3D, EDMX começou a misturar arte e tecnologia em 2019. “Resolvi juntar essas duas habilidades e trazer para a arte urbana. Realidade virtual é muito legal, mas depende de um equipamento, os óculos. Quando a realidade aumentada começou a ficar mais acessível no smartphone, passei a explorar esse formato”, lembra.

“No Panic” foi o primeiro mural com a tecnologia que o artista fez em São Paulo. Finalizado  uma semana antes da quarentena, traz uma garota e um urso de pelúcia, ambos com máscara de gás. Ele fez parte de um projeto no qual a renda foi 100% revertida aos necessitados durante a pandemia.

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“A partir daí comecei a integrar mais esses elementos. Isso acaba sendo um diferencial – mais do que uma pintura na parede, aquele mural tem uma história por trás. E para saber, tem que entrar nesse mundo de Realidade Aumentada e descobrir”, afirma EDMX.

“Max e Rosa”, o grafite com realidade aumentada, foi totalmente financiado pelo próprio artista, e contou com o apoio da produtora Legacy Walls, da fornecedora de equipamentos para a execução de trabalhos em altura Mills e da fabricante de tintas Colorgin. “Foi um presente para a cidade, e faz parte do meu projeto ‘Awakening’, que busca provocar nas pessoas um despertar do seu ‘eu interior’”, explica Montanari.

Apesar disso, materializar a obra não foi fácil. Além do estrago econômico causado pela pandemia, os casos dos murais que tiveram que ser retirados por violação da Lei Cidade Limpa (Lei Municipal nº. 14.223/06), que proíbe a exibição de material publicitário em faces externas na cidade de São Paulo, dificultou a busca por patrocínio. “As empresas ficaram desconfiadas, mesmo meu trabalho sendo autoral. Os apoios que consegui vieram com a obra já sendo desenvolvida”, completa.

Embora tenha contado com parceiros técnicos para outras obras, que desenvolvem os apps que fazem a realidade aumentada funcionar, para “Max e Rosa” EDMX quer o máximo de acessibilidade. “Para arte na rua, ninguém quer baixar mais um app. As pessoas querem o imediatismo. Então esse mural vai funcionar via filtro no Instagram: a pessoa baixa o filtro na minha conta, abre os stories e já vê animação”.