A campanha de vacinação contra a Covid-19 em Minas Gerais teve início na semana passada, mas poderia ter começado antes. Isso porque, em agosto do ano passado, o Estado negociava com o laboratório chinês Sinopharm para testar e produzir as vacinas da empresa no Brasil. As tratativas foram canceladas após gafes diplomáticas e lentidão nas negociações.

O encontro virtual que selaria o acordo foi marcado pelo Estado de Minas Gerais para as 16h de 4 de agosto de 2020. O executivo estadual mineiro deixou de considerar, entretanto, o fuso horário de 11 horas. Com isso, a reunião foi programada para as 3h da manhã de 5 de agosto na sede do laboratório, em Pequim.

publicidade

Mesmo assim, a videoconferência não chegou a acontecer. Dois dias antes da data marcada, o articulador das negociações formalizou o fim da parceria entre Sinopharm e Minas Gerais por e-mail. Além de citar a gafe em relação ao horário, o interlocutor apontou a demora de planejamento do governo mineiro no avanço das tratativas.

Bandeira de Minas Gerais
Acordo poderia ter posicionado Minas Gerais como uma das pioneiras na fabricação de vacinas contra a Covid-19 no Brasil. Foto: edusma7256/Shutterstock

“[…] duas semanas após a assinatura do memorando, Minas Gerais ainda não propôs um plano de trabalho para os testes clínicos de fase 3 nem tem propostas de empresas que possam fazer esses ensaios(Clinical Research Organizations – CRO)”, dizia o e-mail. Ainda segundo a mensagem, a equipe do Grupo Nacional de Biotecnologia da China (China National Biotec Group – CNBG) “não poderia mais esperar”.

Diante disso, as tratativas com a Sinopharm — cuja vacina apresenta eficácia de 79,3% — foram encerradas. Enquanto isso, o imunizante foi aprovado nos Emirados Árabes Unidos, no Bahrein, no Egito e no Peru, que autorizou a importação de um milhão de doses na quarta-feira (27).

Vacinas já estariam em produção

Uma fonte ligada à Secretaria de Saúde de Minas Gerais foi ouvida pelo Estado de Minas sob anonimato. Segundo ela, se o acordo fosse concluído, as vacinas Sinopharm já estariam sendo produzidas pela Fundação Ezequiel Dias (Funed). “Se o processo tivesse avançado, teríamos acordo com um produtor internacional de vacinas, como o Butantan tem. Poderíamos, provavelmente, estar no mesmo patamar que eles”, diz.

As conversas entre Funed e Sinopharm tiveram início no começo de junho de 2020, antes mesmo do anúncio da parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Sinovac.

Instituto Butantan
Se o acordo tivesse sido concluído, a Funed poderia estar no mesmo patamar que o Instituto Butantan. Foto: rafapress/Shutterstock

Resposta do governo mineiro

O governo estadual de Minas Gerais enviou um comunicado sobre as negociações com a Sinopharm ao Estado de Minas na tarde desta quinta-feira (28). “A negociação não avançou pelo fato de a empresa citada não ter apresentado a documentação necessária para avaliação e comprovação das fases 1 e 2, impossibilitando os avanços de tratativas sobre a realização de uma eventual fase 3 de testes”, informa.

Agora, o executivo de Minas Gerais busca outras tratativas com fabricantes de vacinas. A equipe tenta se reaproximar da Sinopharm, mas conversa paralelamente com a Covaxx (dos EUA) e com o Instituto Serum, da Índia. Mesmo assim, é pouco provável que alguma aquisição aconteça nos próximos 30 ou 40 dias.

Fonte: Estado de Minas